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Cubo Mágico

27/05/2013

É minha convicção plena, desde sempre, que nós não mudamos. O que fazemos é alternar entre vários lados nossos, deixar aflorar uns, enquanto mantemos outros no limbo. E só fazemos isso, verdadeira e genuinamente, quando nos apercebemos de que um dos nossos lados, normalmente a persona, nos prejudica mais do que nos ajuda, por normalmente divertir, ou causar admiração/empatia, nos outros, mas nos servir de pouco, nos prejudicar, até, na nossa relação connosco e, por extensão, com os outros, afinal. Só acionamos um dos lados, verdadeira e genuinamente, e não por reflexo da (re)ação dos outros, quando mudamos também a nossa forma de agir, o padrão pelo qual nos movemos, quando começamos a querer coisas diferentes, quando percebemos que não deixamos de ser nós mesmos, apenas nos tornamos mais completos, quando nos voltamos para nós, quando decidimos, finalmente, que a prioridade na nossa vida somos nós, verdadeiramente, o que queremos, quem queremos, como queremos. Só acionamos um dos lados quando queremos mais para nós do que simplesmente a aprovação ou a aceitação dos outros, mutilando partes de nós, ignorando-as, não lhes dando a devida atenção, não as honrando como devem ser honradas. Quando queremos mais para nós do que simplesmente corresponder a uma imagem… Só acionamos outros lados nossos quando, finalmente, mudamos a forma de nos comunicarmos, quando passamos a usar a linguagem do amor e não do poder. Mascaremo-la da forma que quisermos, usemos a figura que melhor nos convier, o nosso self, nós mesmos, ou uma figura externa, a de deus. Eu prefiro usar a do nosso self, porque a figura de deus é muitas vezes confundida com a da religião, que nos condena quando somos “maus”, que nos aceita, de certa forma, pela metade, o nosso lado bom, e não de uma forma completa, como seres bons E maus, por nos punir, por distinguir entre bom ou mau, por nos limitar, não nos deixando chegar às nossas próprias conclusões sobre o que é bom e mau para nós, pois só assim podemos optar, em consciência, livremente, e não por medo, condicionados por forças exteriores a nós. De forma a que o cubo mágico que é a nossa cabeça fique com as faces alinhadas, uniformes, e não com as cores todas misturadas, numa grande confusão. Por sabermos exatamente quem somos e é só conhecendo todos os nossos lados que podemos optar por um deles, deixando os outros no limbo, mantendo o ego no leme, é ele quem medeia a galera que mora na nossa cabeça, se, também ele, estiver alinhado com o self…

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