Sobre a culpa e a inveja

11/04/2021

A ideia de que a culpa e a responsabilidade pelos sucessivos Estados de Emergência é de quem sai de casa, só quer trabalhar, não usa máscara na rua, abraça e beija os seus, visita-os, morem onde morarem, se reúne com amigos, organiza jantares e pequenas festas, foi vendida pelo Governo.

E comprada pela maioria da população.

Estas pessoas, adultas e pais de filhos, aceitam que outro adulto lhes diga: “portaste-te mal, ficas de castigo e não sais de casa enquanto me apetecer”. E pior, acreditam…

Há de haver poucas expressões mais perniciosas do que esta: portar-se bem/mal.

Comumnente usada com crianças, e cada vez mais adultos, e por eles. Expressão essa que diz, indiretamente: “ou fazes o que eu quero ou não gosto de ti e vou punir-te”. O que significa que não está a aceitar-se a criança como e por quem é, mas por quem queremos que ela seja.

Zero respeito pela sua individualidade.

Na esfera individual é fácil entender que este tipo de dinâmica reflete uma relação abusiva: um manda, o outro obedece. Caso não, o faça é castigado.

Na esfera coletiva, a História está cheia de exemplos.

Um tirano é alguém que, sem qualquer critério, lógica, noção, empatia, reage, de forma muitas vezes agressiva e até violenta, sempre que, na sua loucura e megalomania, não é obedecido. Mesmo que não haja qualquer critério a não ser o que serve para dominar o outro e subjugá-lo à sua vontade.

A manipulação é a arma de todos os tiranos, todos os psicopatas.

Mesmo dos que vestem pele de cordeiro. Que apelam ao bem comum, à “saúde pública”. Não há bem comum sem bem individual. São os indivíduos que fazem o coletivo, coletivo esse que não é uma entidade celestial, etérea, que vive no limbo entre o céu e a terra. O coletivo é feito de indivíduos.

Quanto tempo aguentaríamos uma relação destas? Ver um dos nossos numa relação TÓXICA, sem interferir?

A que mantemos com o Governo dura há mais de um ano.

O que só acontece porque a população aceita, permite e, de forma voluntária, obedece. Ainda que quem dá as ordens minta, esconda informação, manipule dados, não faça a mínima ideia do que está a falar, obedeça a ordens superiores, mude as regras todos os dias, sem qualquer prova ou base científica que o justifique, nos confunda a cabeça, nos faça duvidar de nós mesmos, mine a nossa auto-confiança.

Nos faça acreditar que o que é nosso por direito inalienável, a nossa liberdade individual, é dada por ele. E por ele passível de  retirada. Em suma, nos faça mal, psíquica, emocional e fisicamente.

Não há perseguidores sem vítimas nem vítimas sem perseguidores.

O poder é dado aos tiranos por quem lhes obedece. Se não se obedecer, não há poder.  E NUNCA na história de um tirano, de um ditador, as coisas melhoraram com a obediência. Pelo contrário, a obediência só lhe dá mais e mais poder, ao ponto de achar que pode tudo.

A situação que vivemos é igual. Quanto mais obedecerem e acreditarem que, com a vossa obediência cega, as coisas vão melhorar, mais dominados estarão e por mais tempo a tirania se perpetuará.

A culpa dos sucessivos Estados de Emergência é VOSSA.

De quem, por inveja, cobardia, medo ou o que for, obedece, não vive nem deixa viver, denuncia, chama a polícia porque há gente que está a trabalhar e/ou a divertir-se, sem fazer mal a ninguém, quer silenciar as vozes discordantes, que questionam. É paga para mentir, para veicular propaganda, para manipular e enganar as pessoas. De quem, em vez de servir e proteger, oprime.

A culpa é de quem não confronta o seu opressor, não o desafia, não lhe exige responsabilidades, a verdade. Não lhe exige que honre o juramento que fez:

Juro, por minha honra, garantir o exercício de todos os direitos e liberdades dos cidadãos, observar e fazer cumprir as leis, promover o bem geral da Nação e defender a independência da Pátria Portuguesa. 

Vocês têm o Ivo Rosas que merecem.  

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