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Da liberdade

09/05/2008

Não preciso disto* Não preciso de roupa catita, nem de tailleurs. Não preciso de sapatos de salto alto nem de telemóveis de última geração. Não preciso de estar na moda porque toda a gente está. Não preciso de falar mais baixo nem de deixar de dar gargalhadas. Não preciso de ir a museus ou a exposições. Não preciso de saber preencher a declaração de IRS. Não preciso de saber de política internacional nem de geoestratégia. Não preciso de perceber de arte nem de arquitectura. Não preciso de gostar de Banda Desenhada nem de revistas de Design. Não preciso de ler o suplemento económico do jornal nem de ler os clássicos, se não estiver para aí virada. Não preciso de conhecer as capitais da Europa nem os Estados Unidos. Não preciso de votar na Constituição Europeia nem nas Presidenciais. Não preciso de um trabalho das nove às cinco nem de progredir na carreira. Não preciso de saber dançar a valsa nem de gostar de tango. Não preciso de ouvir Vinicius de Morais se me apetece ouvir Adriana Calcanhotto. Não preciso de sintonizar as notícias se o que me apetece é cantar alto e bom som. Não preciso de fazer Pós-graduações ou Mestrados se o que me apetece fazer são workshops. Não preciso de mostrar que sei. Não preciso de provar nada a ninguém. Não preciso de visitar família que nem sequer se lembra que existo nem de mandar postais de Natal. Não preciso de fazer fretes nem de ser simpática se não me apetecer. Não preciso de comer carne vermelha nem de gostar de sushi. Não preciso saber comer com pauzinhos nem de beber saquê. Não preciso de aprender a cozinhar nem a passar a ferro. Não preciso de me casar nem de ter filhos. Não preciso de um serviço Vista Alegre nem de copos de cristal. Não preciso de saber para que servem todos os copos e talheres num jantar de cerimónia. Não preciso de ir a jantares de cerimónia. Não preciso de saber falar bonito, aliás, não preciso de falar de todo. Não preciso de aprender a controlar os nervos e muito menos as emoções. Não preciso de fingir ser quem não sou o tempo todo nem de ser bem-educada. Não preciso que me digam o que tenho de fazer nem como tenho de fazer seja o que for que decidir fazer. Não preciso de “ter de” rigorosamente nada. Não preciso que me impinjam o certo e o errado das convenções. Não preciso de convenções nem de protocolo. E a verdade é esta: não estou nem aí p’rás convenções. Não preciso que me digam como viver a minha vida nem de receber lições de moral.

Não preciso de deixar de ser quem sou para passar a ser quem os outros querem que seja.

*@2005

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  • CA 26/07/2005 at 08:27

    Tu só precisas de ser quem és e como és…nada mais.

    Beijo.

  • Boneca 26/07/2005 at 16:50

    Mas há quem precise de ti…

  • Boneca 26/07/2005 at 16:53

    Eça é que é essa…

  • bçalo 09/05/2008 at 18:48

    não precido de tomar banho, não preciso de cortar as unhas, não preciso de disfarçar arrotos, não preciso de retretes, não preciso de talheres, não preciso de ler, não preciso de roupa, não preciso…

  • Isa 09/05/2008 at 19:41

    e fazes muito bem, desde que não cagues em minha casa tás à vontade!

  • martha nader 09/05/2008 at 20:29

    nem na minha!!!!!!!

  • bçalo 09/05/2008 at 20:50

    não preciso de shampoo, não preciso de sabão, não preciso mudar de meias, não preciso de meias, não preciso de dicionário, não preciso de relógio, não preciso de boas maneiras, não preciso de lenço, não preciso deste, daquele ou daqueloutro, não preciso…

  • Isa 09/05/2008 at 20:54

    Ó Martha, n imaginas a gargalhada que me arrancaste agora!
    Gonça, é cumo le digo: tás à vontade, n te aproximes é de mim…

  • bçalo 09/05/2008 at 20:57

    pois é…
    o problema é quando os outros também não precisam…

  • Isa 09/05/2008 at 21:04

    o que tu n precisas, incomoda o próximo, o que eu dizia que n precisava só a mim diz respeito, tás a ber?

  • bçalo 10/05/2008 at 14:26

    pois, são convenções… sem elas, os outros são um inferno.

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