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Das escolhas

06/07/2009

Olhar para trás e ver que a vida faz sentido compensa largamente os anos em que arrancámos os cabelos, em que trabalhámos no que não gostávamos só pra ganhar dinheiro, em que mandámos uns quantos prá pqp e que ficámos no desemprego, em que batemos com a cabeça na parede, em que andámos mais perdidos do que cego em tiroteio, sem saber o que fazer com uma vida inteira, que tínhamos pela frente.

Olhar para trás e ver que a vida faz sentido sem que tivéssemos seguido absolutamente nenhuma das sugestões que nos fizeram – e que passavam por: arranja um trabalho fixo, das 9 às 5, o que interessa é o dinheiro ao fim do mês/faz traduções técnicas, de computadores e tais que isso é que dá dinheiro/ compra uma casa porque é um investimento/ trabalha nesta área/ faz um curso de formação de formadores/ dá aulas/ dá explicações/ faz isto/ faz aquilo – tem outro sabor, é confirmar que a nossa vida não tem de ser igual à dos outros, que podemos, eventualmente, trabalhar no que gostamos, que não temos obrigatoriamente de casar antes dos 30, de ter filhos antes dos 35, de construir uma carreira, de fazer o mesmo trabalho, no mesmo escritório, uma vida inteira.

Olhar para trás e ver que a vida faz sentido compensa o investimento que fizemos em nós, a tão longo prazo que nem o víamos, tão inconscientemente que nos odiámos, com todas as nossas forças. Confirma que, no fundo, no fundo, por mais que não nos parecesse, por mais que duvidássemos da nossa sanidade mental, as escolhas que fizemos, afinal, estavam certas.

Olhar para trás e ver que a vida faz sentido é constatar que não poderia ter sido de outra forma. Que é isso que nos permite, agora, olhar para a frente com outros olhos, outra confiança, outra motivação, outra convicção, a de que tudo vai dar certo. Olhar para trás e ver que a vida faz sentido é confirmar que valeu a pena não termos desistido, de nós, que não só valeu como vale a pena e vai valer, ainda mais. Que é só o começo.

Olhar pra trás e ver que a vida faz sentido é assim mais ou menos como escrever um roteiro: até aqui pesquisámos, agora é só escrever. Mas o filme, esse, já nos está inteirinho na cabeça.

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  • Blondewithaphd 06/07/2009 at 14:23

    Mas tudo isso dá uma trabalheira… Só tenho pena de quem olha para trás no arrependimento, no vazio do que não se fez e no tempo que se gastou para se perder. No resto, olhar para trás e ver com olhos de ver e coração de sentir que se fez bem é um privilégio absoluto.

  • mdsol 06/07/2009 at 17:22

    Que bom ler este texto. Oh p'ra mim a ficar feliz ao ler esta tranquilidade inquieta.
    Beijinhos Isa

    [Olha que duas queridas aqui se juntam. A Isa e a Blondinha…
    Decerto tenho idade para ser vossa mãe. Mas gosto muito de as acompanhar a ambas. E esta hein? :))))]

  • Isa 06/07/2009 at 22:14

    bom, Blondinha, quem olha pra trás no arrependimento problema dele/dela, qd n se quer, n há nd nem ng que possa fazer alguma coisa. em princípio, tds temos essa oportunidade, n a agarramos pq n queremos.

    inquieta e tranquila ao mesmo tempo, Maria, vai dar td certo ;-)
    Bjs às duas

  • Marta 08/07/2009 at 11:42

    Lindo, amiga Isabel.
    Aliás, faz tanto sentido que é perfeito. Tal como a magia que nos conduz por esse sentido.
    Muitos beijos.
    Saudades.

  • Isa 08/07/2009 at 14:29

    saudades, querida, saudades… bjs miles

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