Livre

A praia estava linda ontem, no dia das mulheres.

09/03/2017

Espalhados pela praia, havia casais, grupos de miúdos e mulheres sozinhas, em biquíni, a apanhar sol. Uma delas com um corpaço invejável. Dei por mim a pensar no privilégio que é morar em Portugal, na Europa.

Nenhuma daquelas mulheres teria um minuto de sossego em qualquer praia brasileira, nem um segundo passaria sozinha.

Depois, fui ao facebook e vejo posts escritos por mulheres, jornalistas, informadas, com uma raiva, uma cobrança, uma culpabilização tão grandes nas palavras que me irritou.

Um dia que deveria ser de celebração é sempre, sempre, pautado por discursos inflamados. A culpar mulheres por não se juntarem à causa, a dar na cabeça dos homens por se atreverem a ser gentis, a dizer, com uma raiva que dá vontade de dar estalos, que o dia serve para nos lembrarmos dos abusos que as mulheres sofrem todos os dias. Físicos, morais, laborais ou salariais.

Mas passa pela cabeça de alguém que haja como esquecer?

mulheres

E acham que convencem quem, com esse discurso? Que mudam o quê, com essa atitude? Mais patriarcal do que discurso de ordem, exigência, cagação de regra como esse é difícil. Usem os vossos atributos naturais, femininos, para chamar a atenção para a causa, para a trazer a público, para fazer alguma coisa de facto por ela, em vez de gritarem que nem umas loucas. Envergonham-me e prejudicam a causa. Quase tão mau ou pior do que o paternalismo masculino no dia da mulher é esta histeria. Chego a ficar com raiva do dia. E de vocês… A raiva que vocês têm é de vocês mesmas, umas das outras, e isso não ajuda ninguém.

O mais lúcido que li sobre o dia da mulher

Foi, curiosamente, o último parágrafo* do texto da pipoca mais doce. Está lá tudo, explicado com uma paciência de chinês. A questão não se refere a uma realidade distante, às pobres mulheres africanas. É connosco, nós mesmas, para começar. As nossas amigas, as nossas mães, as nossas irmãs, as nossas filhas, sim. A inveja das mães em relação às filhas é um clássico e ninguém fala nela. O ódio, a inveja, o rancor, estão aí, em vossa casa, no vosso coração, na vossa relação umas com as outras. Não adianta andarem a gritar aos 4 ventos, se não tiverem consciência do que de facto vos incomoda, vos dói. Resolvam a vossa vida, mas param de gritar, pelo amor de deus.

Façam-lhes [aos homens] todas essas cobranças. Chateiem-nos de cada vez que os putos tiverem de ir a uma vacina e for a mãe a ter de chegar mais tarde ao trabalho. Chateiem-nos de cada vez que os putos tiverem uma consulta e for a mãe a ter de pedir para sair mais cedo. Chateiem-nos quando os putos estiverem doentes e tiver de ser a mãe a pedir dias no escritório. Chateiem as entidades patronais que reviram os olhos a qualquer pai que queira ter uma licença de paternidade que vá além daquele mês permitido (e que, muitas vezes, nem sequer pode ser gozado de seguida). Chateiem os pais separados que só estão com os filhos a cada quinze dias (e, e, há muitos que, se puderem, nem isso). Chateiem-nos se ousarem ir de férias e deixarem os putos com a mãe. Ou  então, não. Não chateiem ninguém, deixem de ser a PIDE da internet e limitem-se a viver as vossas vidinhas da melhor forma que conseguirem. Via

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  • Galvona 11/03/2017 at 11:24

    Pois eu amo viver no Brasil,amo uma praia e nela tenho lindos e plácidos momentos,posso estar em sossego,sim.
    Uma portuguesa vir falar disso. Melhor ler isso qe ser cega. Ñ basta já terem espoliado esta terra,tem qe espezinhar ainda.
    E vc diz ‘elas’,mas faz o mesmo qe ”’elas”’. Coisa de português,………..

    • Isa 11/03/2017 at 11:27

      Eu morei no Brasil 5 anos, sei bem do que estou a falar. Já você vir a casa dos outros insultá-los sem nem sequer saber escrever PORTUGUÊS, tem muito que se lhe diga.

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