Livre

Ditadura Digital

27/04/2018

Já desconfiava que vivíamos numa ditadura digital. Sabia que os primeiros links a aparecer na busca do google eram pagos. Que o facebook não põe nos feeds de notícias qualquer post que tenha vídeos, links, para outras páginas, alegando que quer que as pessoas interajam. Exceto na parte em que nos entope a plataforma com anúncios, contornável, e o feed com posts patrocinados. Praga que chegou a todas as redes e da qual é impossível fugir. Vale tudo. Inclusive um feed cheio de lixo que não quero ver, de gente que não conheço ou com quem sequer interajo. 

Já para não falar naquela coisa irritante e completamente orwelliana: X comentou isto

Juro, não quero saber…

Não contente com o ser detentor de todas as redes sociais e mais algumas; de usar dados de clientes e disseminar a privacidade alheia com tudo quanto mexe; passar-lhe pela cabeça usar uma coisa privada como um número de telefone, e as mensagens trocadas no whatsapp, para, do nada, nos começar a bombardear com anúncios relativos a conteúdos de conversas pessoais; Acabo de saber que Mark Zuckerberg, juntamente com meia dúzia de pessoas, também domina basicamente a internet. Condicionando e controlando empresas produtoras de conteúdos, com a promessa de mais visibilidade, mais seguidores, mais tudo.

No dia da liberdade, ahah, descobri que se escrevermos ASSIM damos um código que quer dizer alguma coisa e nos põe num lugar específico do ranking do Google. Já se escrevermos assado, também, e cozido, idem.

Provavelmente, este texto não vai chegar ao cume do Evereste por não ter 1500 palavras. Mas pode ser que chegue a meio, já que não vou justificá-lo, porque parece que é assim que se lê melhor. Embora os meus níveis de TOC atinjam os píncaros e já me esteja aqui a roer toda.

Ante a minha quase apoplexia nervosa e a minha vontade de chamar nomes a estes cabrões todos, pronto, já disse, face a tamanha injustiça e impotência, o Nuno responde-me:

É o negócio deles, é normal…

Não, o normal é um gajo fazer pela vidinha. O que puder, usar os seus recursos. Reinventar-se, estudar, investir, tentar ser o melhor que conseguir no que se propõe fazer com a sua vida. Ser um gajo decente.

Sem, no entanto, correr o risco de enlouquecer ou se matar. Por achar que o que produz não interessa, não tem qualidade. Quando o que acontece simplesmente é que não chega às pessoas porque uns iluminados acham que podem dominar o mundo.

Tentar impedir que os outros cheguem onde quiserem e decidam por si o que querem ler é outra história. Chama-se patologia de poder. Possuir tudo quando é meio digital e com isso usar o povo como joguete, como os gatos fazem com as baratas, inventando cursos caríssimos que ensinem a escrever ASSIM, assim e assim. E, daqui a seis meses, vir dizer que afinal não. Temos de escrever assado. Que agora está a dar é escrever com o maior número de erros possível, porque a gente é que manda, é DOENÇA MENTAL.

(Vamos baralhar o algorítmo, que eu tenho um mau feitio desgraçado quando me tocam em certos e determinados nervos…) 

É ditadura, digital, mas ditadura.

O mundo pula e avança e nada muda, só os meios. E nós aqui, com a ilusão de que sem eles não vamos a lado algum.

E se é verdade que as redes são eventualmente um meio de chegar mais longe, também o é que nos tornamos reféns desta gente. Sem justiça alguma, meritocracia zero, espontaneidade e autenticidade por um canudo. Sequer garantias.

Usar as fragilidades das pessoas para fins tão torpes quanto controlo e poder, usando e abusando do medo e da necessidade de segurança, continua a prevalecer e a imperar no sistema.

Por isso, e contra todas as tendências de toda a gente, devo ser a única do meu tempo que não trocou o blog pelo facebook, continuo a manter este site. A escrever numa plataforma que eu pago. Porque no dia em que esses senhores quiserem dizer: acabou-se a festa, o after-hours é em minha casa.

E que se quiserem, fizerem questão, de me acompanhar, escrevam-me. Your Data is Safe with Me. 

Ainda não consegui um guru digital que me ajude com a newsletter, mas não perdi a esperança.

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