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Dividindo responsabilidades

13/12/2012
Continuo a receber os mails da Lynne Forest. E ela insiste no ponto: os nossos sentimentos são criados a partir dos nossos próprios pensamentos. O que me começa a irritar um bocado. 

Nós vemos o mundo conforme a nossa experiência, primeira, intermédia e última, e essa visão vai mudando consoante as experiências que vamos tendo, que nos vamos permitindo. Também sabemos que a vida são momentos, apesar de às vezes nos dar jeito eternizá-los, e aos seus protagonistas, principalmente aos seus protagonistas, deve ter a ver com a nossa necessidade de estabilidade, imagino… E que há padrões de comportamento que são nossos, difíceis de mudar, porque muito primários, inconscientes. Até aqui tudo bem. 

Partindo do princípio de que não somos mimados em demasia, carentes em demasia, loucos em demasia, egocêntricos em demasia, ou seja, de que estamos minimamente equilibrados, e independentemente do motivo psíquico pelo qual nos relacionamos com aquela pessoa, nós esperamos do outro aquilo a que nos habituou. De acordo com o que conhecemos dele, com o seu padrão de comportamento em relação a nós e a ele mesmo, de acordo com o sentimento que nos dedica e nos demonstra, sem sequer o tentarmos mudar. Aceitamo-lo naturalmente, porque não nos agride. Independentemente do nosso padrão, por mais que, num milésimo de segundo, pensemos: pronto, mais um… oops I did it again, é fácil, muito fácil espantar esse pensamento e não reagir intempestivamente quando o outro chega, nos contacta, porque conseguimos distinguir entre o que é nosso, um medo nosso, e o que não é. 

É quando o padrão de comportamento do outro muda em relação a nós e nos começa a agredir, mantendo-se por dias, meses sem fim, mesmo quando tentamos travá-lo, impedí-lo, fazê-lo ver que não estamos a gostar, que está a ser demais, que as coisas mudam, que a desconfiança surge e aí, com certeza, há motivos para tal. 

As relações não são unilaterais, nunca são. E começa a irritar-me a postura dela, de que nós somos sempre os maus da fita, de que o outro não é passível de paranóia, maus momentos, comportamentos menos próprios, dele e só dele. Como se o outro não fosse, também, responsável pelo estado a que as relações chegam. Como se dependesse apenas de nós, como se a vontade de que as coisas funcionem não dependesse sempre dos intervenientes, nomeadamente do sentimento que os une ou deixa de unir. 

Nós fazemos o nosso trabalho, no nosso tempo, mas o outro também tem de o fazer, no tempo dele. E se há um que não faz, dois não dançam. Simples assim. Pode ser um fim, mas não há fim que não configure começo. E, normalmente, é para melhor…

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  • maria madeira 13/12/2012 at 19:18

    "E se há um que não faz, dois não dançam". Exactamente, tão simples assim!
    Só por isso é que terminei uma relação há meia dúzia de meses, que já durava há oito anos. Não sei se é um começo e também não sei se é para melhor, mas sei que agora respiro.

  • sem-se-ver 14/12/2012 at 08:45

    quando é.

    (para melhor)

  • Tiago Koyano 14/12/2012 at 13:31

    A sua situação retrata todo o caso, estas a perder a paciência por causa da insistência dela, não porque és simplesmente impaciente. Na dúvida, faça um experimento. Aporrinhe a coitada com algo que ela não acredite, mesmo que você também não, fazendo-a acreditar no contrário. Sei lá, que Cristiano é melhor que Messi, e construa argumentos não satisfatórios como:"ele já jogou em vários times&

    • Isa 14/12/2012 at 13:35

      :D

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