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E-Books e Dropbox

28/11/2013

Houve um momento em que achei que era boa ideia partilhar numa pasta de dropbox uns e-books de psicologia. Pesquiso psicologia analítica há 4 anos, invisto tudo o que tenho no autoconhecimento, tempo, dinheiro, inteligência e o que mais houver. Sei o que é bom e o que não é, o que vale  pena e não vale.

Alguns desses livros, que comprei em papel, ajudaram-me imenso e pensei que pudessem ajudar outras pessoas. Houve quem me pedisse acesso e eu dei. Até me ter apercebido de que esses e-books estavam disponíveis na internet sem a autorização dos autores ou dos herdeiros dos direitos sobre as obras. Por isso acabei de cancelar o acesso à pasta dropbox onde esses livros se encontravam.

Para escrever um livro é preciso não só muito trabalho como uma dose de investimento, emocional, financeiro e intelectual, enorme. Já para não falar noutros recursos ainda mais preciosos, tempo, trabalho, dedicação, conhecimento e inteligência.

O conhecimento, qualquer que seja, é pago. O acesso a ele também.

Os livros continuam disponíveis na rede, quem estiver suficientemente interessado que os procure, mas eu, enquanto autora, não quero, não posso, muito menos devo pactuar com isso. Não quero esse peso e essa culpa na minha consciência. A culpa leva, inconscientemente, à auto-punição, e eu não estou pra isso.

Tal como um professor, como qualquer outro mestre, é pago para ensinar, quem faz da escrita profissão também deve ser pago por isso. Tal como qualquer profissional, do que quer que seja, se insurgiria se lhe propusessem trabalhar de borla, o trabalho de um escritor, de qualquer artista, na verdade, de um terapeuta, deve ser visto exatamente da forma como vemos o trabalho que executamos e para o qual somos pagos.

Sem pagamento, não há palhaços. Se nós não formos pagos pelo que fazemos, deixamos de o poder fazer. Se há quem se interesse pelo que fazemos, tem de haver quem se interesse por pagar por um bem que recebe, tal como acontece quando compra pão.

O conhecimento é um bem de consumo como outro qualquer e deve ser remunerado de acordo.

E mais, não há almoços grátis, simplesmente não há. Qualquer adulto, se pensar um bocadinho, percebe que mesmo que algo seja aparentemente grátis, não é. Há gente a trabalhar por trás disso, há custos,  tempo, conhecimento, dinheiro, dedicação de pessoas que merecem ser pagas pelo seu trabalho, como eu e você.

O voluntariado é uma ilusão. E é preciso parar de subvalorizar o tempo, o conhecimento, a inteligência, o talento, o dom e as demais capacidades alheias e dar-lhes o devido valor, pagando o que é justo. E o que é justo é o quanto você apreciou o que lhe foi transmitido, o quanto o inspirou, o ajudou, o satisfez, seja a que nível for.

Ninguém, ninguém é feliz a trabalhar de graça, ninguém… E o custo emocional disso é a morte.

Grata pela compreensão.

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  • Maria 02/12/2013 at 19:57

    Subscrevo!

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