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É isto…

22/05/2014

Carl Gustav Jung definiu como individuação o processo pelo qual o ser humano chega ao autoconhecimento, e é levado a estabelecer contato com o seu inconsciente, não só com o inconsciente pessoal (integrando as sombras), mas também como o seu inconsciente coletivo.

Nessa integração, o que se faz é sempre a separação do que é consciente daquilo que é não consciente. Para integração dos arquétipos torna-se necessário fazer essa distinção, caso contrário os conflitos continuam ou se intensificam. O objetivo desse processo ou sua etapa final é a chegada ao self, ao centro da personalidade. Quando chega a esse centro, o ser humano realiza-se como individualidade, como personalidade.

O self, que se apresenta como um projeto desde o início de nossa vida, é o modelo do ser humano completo, a matriz de todo progresso do ser, o padrão segundo o qual se desenvolvem as características de individualidade de cada um. Sua apresentação desde o início da vida se realiza através dos sonhos de crianças, sonhos em que aparecem imagens arquetípicas desse centro, ou seja, os símbolos do self.

A chegada ao self é, muitas vezes, precedida por angústia, ou por muita ansiedade, uma ansiedade à qual todo terapeuta deve estar atento. Essa ansiedade está associada à aquisição de uma maior consciência de si próprio, que o indivíduo está atingindo.

Aquele que ouve e dá atenção à grande tensão interior que precede o processo do autoconhecimento, terá a chance de alcançar as profundezas do seu ser, e integrar a vivência dos arquétipos de forma consciente.

A individuação geralmente é desenvolvida dentro de um processo terapêutico, mas também pode acontecer de forma natural. Não é impossível que alguns cheguem a realizá-la sozinhos. Muitos outros homens altamente significativos para seu tempo chegaram a uma personalidade que nos parece completa, sozinhos, para o que é necessária uma ampla e intensa vivência interior.

Jung também chegou a se individualizar sozinho, mas através da psicoterapia junguiana, que ele mesmo descobriu, um método que foi experimentando consigo mesmo de forma totalmente intuitiva, sem que ninguém lhe tivesse ensinado.

A chave nesse processo é jamais ignorar os sentimentos, enfrentar as angústias, os medos e as dificuldades com coragem, buscando a raiz, a fonte de onde se originam tais problemas. Apesar de doloroso, o processo de individuação, é o que nos libertará de uma vida massificada, totalmente dominada pelo ego, em que seguimos o pensamento da maioria sem qualquer escolha pessoal. A tomada de consciência é essencial, mas não é tudo, ela nos torna mais responsáveis por nós mesmos e por nossos atos, e a partir daí cabe a cada um decidir se vai ou não aceitar essa responsabilidade.

Atingir o self, não significa chegar à perfeição, mas sim ter uma visão realista de si mesmo, e o entendimento de que o progresso interior é algo a ser trabalhado durante toda a vida, pois novos desafios surgirão o tempo todo durante nossa existência. Porém, uma personalidade integrada enfrentará esses desafios com muito mais coragem, discernimento, equilíbrio e serenidade.

*Não sei quem é o autor.

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