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Em jeito de reminder

30/10/2013
Quando estive em Lisboa da última vez comprei o anel com o qual sonhei muito tempo. É de prata, o meu material de eleição desde sempre, liso, simples, classudo, grosso, apesar de ter os dedos pequenos e achar que talvez não ficasse assim tão bem. Fica mais bonito em mãos maiores, as minhas mãos são mínimas, parecem mãos de criança.
Comprei-o diretamente a uma artista, que já paga os seus impostos em todos os materiais que compra, daí que o preço que paguei por ele foi o preço do custo da mão de obra. Querem que as pessoas paguem impostos sobre o consumo, baixem-nos. Garanto que a economia não parará de girar. Ninguém foge aos impostos porque é desonesto, fá-lo porque se sente roubado. O governo que colabore ou que aguente.  
As minhas mãos são as mãos que tenho, são o que são, o anel é lindo, queria-o muito. Deixei de lado o meu próprio preconceito, parei de lutar contra a realidade, fiz as pazes com as minhas mãos. 
Toda a vida usei anéis na mão direita, no dedo médio ou no anelar. No entanto, por conta de uma desidrose violenta que me engrossava os dedos, comecei a usá-lo no anelar esquerdo, onde tem ficado desde então.
Aqui há uns dias li já não sei onde que o motivo pelo qual a aliança de casamento é usada no anelar esquerdo é porque os gregos, ou os romanos, não me lembro, achavam que a veia desse dedo estava diretamente ligada ao coração.
Nesta minha nova fase de me embonecar todos os dias, esqueço-me muitas vezes dos adereços. A minha cabeça anda sempre a mil à hora e como já me dediquei à causa muito tempo, os adereços, que não estão à vista, ficam quase sempre esquecidos. Só quando saio de casa me lembro que me falta qualquer coisa, o anel, cheio de simbolismos vários, que desconheço. 
Vou deixar o anel à vista, para o usar sempre, a prata vai bem com qualquer visual, mas o motivo é outro, não tão prosaico. 
Nesta luta eterna que o ego trava com o coração, serve o anel de prata para me lembrar que sou menina, para me lembrar da importância dos sentimentos, das emoções, para me alertar para o facto de a minha racionalidade estar bem resolvida, a minha razão é minha, não preciso que ma dêem, que é aos sentimentos e às emoções que tenho de prestar atenção, que os tenho protegido demais, que preciso de os libertar. 
Em jeito de reminder: o caminho é pela via do amor, não do poder…

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  • Anita 31/10/2013 at 17:57

    Fica-te muito bem e tens umas mãos bonitas ☺
    E eu, que nunca usei um anel na vida (fobias…), era bem capaz de usar esse, assim um dia ou outro…

    • Isa 31/10/2013 at 17:59

      <3

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