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Embora ser adultos

14/11/2005

Dava-me muito mais jeito acreditar nas mulheres mas não sei cá por quê, no caso concreto, acho que é mais prudente acreditar no inimigo, ainda que me sinta uma verdadeira ignorante na matéria.

Dizia-me uma amiga este fim-de-semana que se uma mulher quer igualdade, em relação aos homens e mais não sei quê, tem de se fazer à vida. Tem de ir à luta. Já não existe aquela história da espera, da caça e do caçador. Hoje somos todos evoluídos e tal e portanto não temos de ter quaisquer problemas em nos assumirmos como: mulheres independentes atiradas prá frente sem problemas em admitir e mostrar o quanto gostaríamos de… enfim… embora lá que já se faz tarde e amanhã tenho de me levantar cedo.

Só houve um gajo que me disse que como há mais mulheres do que homens, as mulheres têm de ir à caça e eles ficam a ver, a decidir por qual se deixam caçar. Este meu amigo, para além de gostar de chocar as pessoas e de às vezes ser uma besta, é casadíssimo (juntíssimo que vai dar no mesmo) e obviamente não pensou muito bem na coisa antes de abrir a boca para dizer tamanha bujarda. Ao que sei, se ele e a namorada estão juntos até hoje não foi por ela ter andado a tentar caçá-lo ostensivamente. E muito menos por ele ficar a ver…

De resto, todos os gajos, é que não foram um nem dois…, têm consciência de que o mundo é global e globalizante mas isso não os aquece nem os arrefece. Por mais que a alguns custe admitir, já não vivemos na idade da pedra mas ainda vivemos na do fogo. A expressão que se usa é essa mesma: caçar e ser caçada. O jogo joga-se da mesma maneira. A coisa rola e se, por acaso, fica por isso mesmo e não quisermos passar pela humilhação de ouvir o que já sabemos – porque as respostas estão muitas vezes nas acções – tudo fica por esclarecer e quem vier atrás que se aguente.

Depois de muito investigar, constato que é assim mesmo: na cabeça dos nossos machos continua a fazer uma confusão tremenda que uma mulher faça perguntas, grite, desatine e, imagine-se, chore… Eu acho que é porque nos corre sangue nas veias e nos atrevemos a reagir, o que pode ser uma chatice para quem ouve, realmente… E por que choramos por muitos motivos, assim como assim o choro não é resposta mas reacção aos estímulos mais variados, que vão desde desilusão amorosa a um sistema nervoso explosivo, culminando na TPM… Se tivessem hormonas pululantes, queria ver se não choravam baba e ranho a toda a hora, mas adiante. Desconheço os motivos pelos quais continuam a faltar tomates aos homens em geral para encarar o boi pelos cornos, ou uma mulher cara a cara, e assumir que não gostam o suficiente. Também não percebo lá muito bem onde é que está a dignidade de um gajo que foge de uma mulher mas isso não me apoquenta por aí além, até porque estou cá desconfiada que não há uma razão decente e muito menos aceitável.

Extrapolando um bocadinho, a minha falta de capacidade para compreender este tipo de fenómenos leva-me mesmo a ignorar por completo o motivo pelo qual se mantêm relações que não levam a lado nenhum e se vive assim uma vida inteira, não pela mulher com quem se escolheu partilhar uma vida – porque no fundo no fundo fazemos sempre as coisas por nós, por mais altruístas que nos possam parecer as nossas acções – mas por que mais vale ficar com essa, que não chateia e andar a mandá-las por fora em quantas tiver vontade, do que correr o risco de a minha me mandar às couves e ficar sozinho, e depois quem é que me passa a roupa e tal…

Hoje em dia as mulheres vão à caça sem que lhes caiam os parentes na lama. Também somos feitinhas de carne e osso e temos as nossas necessidades. Não queremos apanhar o primeiro que nos cair da rede e também gostamos de alguma variedade. É certo que as nossas emoções às vezes nos lixam mas não deixamos de o fazer com convicção, em consciência. A grande merda é que os gajos continuam a não achar graça nenhuma às nossas investidas. Há até os que acham péssimo, comparam-nos inclusivamente com os gajos das obras, sendo que algumas de nós conseguem ser piores… Acho mal. Para já os homens das obras não têm o nosso bom aspecto e muito menos os nossos atributos. Depois são capazes de ter um bocadinho menos de jeitinho com as palavras e os actos do que nós. Além disso não percebo – com tanta evolução, com tanto chip que se pode aplicar em todo o lado, inclusivamente no cérebro – como é que, no que se refere ao comportamento masculino, a coisa ainda continua como dantes. As relações acontecem e são bem sucedidas se partirem do macho e a fêmea jogar o jogo.

Isto quer dizer que, na área da conquista, emancipação é teoria. Não interessa se entretanto toda a gente sabe que não somos feitas de vidro. Não interessa se nos aguentamos à bronca aconteça o que acontecer. Até somos capazes de pôr filhos no mundo mas isso é pormenor de somenos. Facto consumado é que – e todas as mulheres que conheço, com relações estáveis, assumem, e os respectivos confessam – “foi ele que caçou e não o contrario. Só tive de me deixar ser caçada.”

Se não podes vencê-los, junta-te a eles. ‘tá muito bem. Há só uma questão que gostaria de ressalvar: enquanto a coisa é e não é, porque o que é bom faz-se esperar e os nossos amiguinhos usam e abusam do tempo que controlam, deixar que a ansiedade e as dúvidas nos acabem com o sistema nervoso também não me parece lá muito justo. Seria de elementar justiça adoptar uma solução mais equilibrada, digo eu…

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