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És o maior, regardless…

21/10/2004

Desculpa se às vezes sou tão brusca. É injusto, eu sei. Mas é de mim. Não tem nada a ver contigo. Sou eu que preciso do meu espaço. Sou eu que sinto uma necessidade urgente de me libertar ou de me sentir liberta porque no fundo tenho consciência de que isso é impossível, e ainda bem. De zelar pela minha privacidade que ninguém me tira, que eu não deixo, mas às vezes quase te sinto como uma ameaça, não sei porquê. Talvez por fazeres tantas perguntas. Por não me apetecer responder. Por não ter respostas. E por não aceitar a pressão que sinto nas tuas perguntas e que talvez não devesse sentir. Talvez por vergonha, certamente por insegurança.

E sei que tu sabes tudo isto. E nada me cobras. E calas-te tantas vezes. E telefonas-me mais do que nunca só para saberes de mim. Porque te preocupa, eu sei. Não falas de sentimentos, nunca falaste. Nem to peço e muito menos exijo. Não é preciso.

Não te levo a mal a chantagem emocional, porque sei que não é disso que se trata. Não te levo a mal a brusquidão com que às vezes me fazes perguntas, porque sei que não é por mal. Não te levo a mal o que não dizes e muito menos o que não fazes, porque sei que estás a fazer o teu papel, porque és assim. E não te posso levar a mal, obviamente que não. Porque não!

Eu sou eu e tu és tu. Gosto desta imperfeição perfeita.

E queria agradecer-te. Por tudo.

Foste tu que me ensinaste a arcar com as consequências dos meus actos, das minhas palavras.

Foste tu que me ensinaste o que é a honra, a dignidade, o carácter, o sentido do dever, o quão importante é cumprirmos com as nossas obrigações, o quão vital é lutarmos para conseguirmos o que queremos, para que lhe possamos dar o devido valor. O quão fantástico é fazer questão de levar as coisas até ao fim.

Foi contigo que aprendi que o melhor é fazer de quase tudo uma piada, de me rir com quase tudo. Não tanto como tu mas nem sempre tenho a cabeça limpa. E tenho pena. É tão mais saudável…

Foste tu que me passaste uma segurança que nem sempre sinto mas que está cá. Para dizer o que penso e que se lixe.

Foste tu que me passaste o tacto que às vezes se tem de se ter para dizer, para calar, para o que calha, que aparentemente podemos até nem ter.

Foi contigo que descobri o Eça.

Foi contigo que aprendi o significado da palavra respeito, adaptado à minha era, é certo. Mas está cá.

Foi contigo que aprendi que desde que esteja bem com a minha consciência, porque fiz ou disse o que deveria ter feito ou dito, que se lixe. Que o problema passa a não ser meu.

Foi de ti que herdei o à-vontade, com o qual me sinto tão bem e que acho tão saudável.

Agradeço a força que sempre me deste, independentemente da forma como o fizeste porque isso não interessa!

Admiro a tua capacidade de não te perderes em coisas que não interessam. Admiro a tua concentração. Admiro a tua cabeça e a tua inteligência. Admiro a tua segurança e independência. Admiro a tua postura. E mais que tudo, admiro muito a tua humildade.

É contigo que aprendo que o mérito mais cedo ou mais tarde é reconhecido. É contigo que essa esperança não morre.

É de ti que sinto um orgulho do tamanho do mundo e hei-de sentir sempre, regardless…

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