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Escola da Ponte

08/12/2012

Não há brasileiro letrado e de alguma forma relacionado com o ensino que não me fale da Escola da Ponte. Vergonhosamente, não conhecia o projeto. Como normalmente acontece em noites de copos, no dia seguinte nunca me lembrei de ir à procura de informações sobre a Escola. Hoje deu-me para isso e fiquei fascinada ao descobrir que no meu país, velhinho e acomodado, existe um projeto em que se prima pelo desenvolvimento individual de cada aluno, adequando-se o método de ensino de acordo com as necessidades de cada um e não ensinando exclusivamente o conjunto, como se fossemos todos iguais, aprendêssemos da mesma forma, quiséssemos o mesmo. É claro que dá trabalho, a pais e professores, fácil, fácil é atirar informação para o conjunto e punir quem sai fora das normas cada vez mais estreitas e limitadoras. Uma pena que não resulte, que degenere em adultos medrosos e traumatizados, mutilados na sua essência, em suma, emocionalmente destruídos, adaptados apenas às necessidades do mundo e completamente auto-destrutivos em tudo o resto, ou iludidos até à medula com as distrações do dia a dia, seja a última moda, a última notícia, a última fofoca no trabalho, a última compra ou a última do colega sacana, o que vai dar no mesmo, o potencial total fica por desenvolver, a vida vivida ao máximo potencial também. Além disso, educar pessoas para pensar contradiz o modelo de controlo que satisfaz estados e governantes. O que é bom é papaguearmos informação, já devidamente mastigada por quem tem interesse em continuar a ser o bom e obediente aluno. É tempo de acabar com isso, digo eu. Queremos mais escolas da ponte, queremos muitas escolas como a da Ponte. Parabéns, Portugal. 

Como cada ser humano é único e irrepetível, a experiência de escolarização e o trajecto de desenvolvimento de cada aluno são também únicos e irrepetíveis. O aluno, como ser em permanente desenvolvimento, deve ver valorizada a construção da sua identidade pessoal, assente nos valores de iniciativa, criatividade e responsabilidade. As necessidades individuais e específicas de cada educando deverão ser atendidas  singularmente, já que as características singulares de cada aluno implicam formas próprias de apreensão da realidade. Neste sentido, todo o aluno tem necessidades educativas especiais, manifestando-se em formas de aprendizagem sociais e cognitivas diversas. Prestar atenção ao aluno tal qual ele é; reconhecê-lo no que o torna único e irrepetível, recebendo-o na sua complexidade; tentar descobrir e valorizar a cultura de que é portador; ajudá-lo a descobrir-se e a ser ele próprio em equilibrada interacção com os outros  – são atitudes fundadoras do acto educativo e as únicas verdadeiramente indutoras da necessidade e do desejo de aprendizagem. Na sua dupla dimensão individual e social, o percurso educativo de cada aluno supõe um conhecimento cada vez mais aprofundado de si próprio e o relacionamento solidário com os outros. Mais, aqui.

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  • Fuschia 08/12/2012 at 11:21

    Sim, infelizmente são muito poucas. Existe uma em Lisboa muito recente, a Verdes Anos: http://www.casaverdesanos.pt/videos/programaconsigo-outubro2011

    • Isa 08/12/2012 at 14:17

      se tivesse filhos era pra lá que eles iam.

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