Livros, Me and Mr Freud

Esquecemo-nos de que um fim é sempre, sempre um princípio*.

23/09/2015

Instintiva ou intuitivamente, sabemos quando algo morreu, acabou, não vai dar flores, frutos, sabemos quando já não vale a pena. Sabemos o que é, o que não é, o que pode vir a ser, o que jamais será. Sabemos, Dr. Freud, sabemos sempre. E, ainda assim, insistimos em regar, em virar para o sol, apesar dos sinais de perda de vitalidade serem mais do que evidentes.

Apegamo-nos, Dr. Freud, a objetos e pessoas que simbolizam algo de que aprendemos a gostar em nós, que de alguma forma nos transformaram. Apegamo-nos a quem já fomos, esquecendo-nos de quem somos hoje. Às vezes por ainda precisarmos, às vezes por nos viciarmos, às vezes por ter passado tanto tempo que já nem nos lembramos de que podemos ser outra coisa, na grande maioria das vezes por não nos acharmos preparados para sermos quem somos hoje.

Esquecendo-nos de que o que quer que seja que tenha sido suscitado por algo externo é nosso e que pode ser resgatado outra vez, de outra forma, mais consciente, mais nossa, menos produto de uma reação externa, de uma fantasia, de uma ilusão. Esquecemo-nos de que somos nós quem tem de alimentar e nutrir em nós mesmos o que quer que seja que nos faça bem, que acharmos bom para nós, independentemente da projeção, da necessidade, da falta, da ausência alheias.

In: Eu e o Sr. Freud

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