Livre

Faz-me falta o Brasil…

19/10/2015

Insisto em guardar para ler mais tarde mais por hábito do que por outra coisa qualquer. Sou viciada em informação sobre os temas que me interessam, que não são muitos, mas são complexos e vastos. Não é modesta a minha pretensão, a de saber como funciona a nossa cabeça, daí que a informação não acabe nunca e o meu interesse seja um saco sem fundo. Mas cansei-me um bocadinho. Não do tema, é o tema da minha vida, mas de recolher informação sobre o mesmo. De perder horas a lê-la, informação mastigada, como é toda a informação veiculada pela internet. Autores sem referência e artigos traduzidos mal e porcamente por gente preguiçosa que ganha a vida com o trabalho dos outros é coisa que me chateia. O mundo não é dos espertos, nem dos preguiçosos, é dos autênticos. Temo que a moçada de hoje não chegue a aprender a fazer investigação de fundo, a ler um livro até ao fim, mas esse é um problema que não me assiste, e os introvertidos existirão sempre. Na escola do meu sobrinho havia vários que esperavam ansiosamente para a biblioteca abrir e chegar a vez deles de entrar, sentarem-se num sítio sossegado e lerem à vontade. Havia um miúdo que lia livros enormes, sem parar. Deposito todas as minhas esperanças nos introvertidos, existirão sempre, fazem parte do equilíbrio do mundo. Às vezes tenho um bocado de dificuldade em aceitar esse equilíbrio do mundo, queria que fosse desequilibrado, que funcionasse só para um lado. Mas aí não haveria equilíbrio, haveria apenas polarização, como se precisássemos dela externamente, como se não existisse dentro de nós. O externo apenas reflete a polaridade que é nossa, para nos dizer precisamente que estamos a polarizar demasiado, que precisamos de um choque de realidade para lidarmos com o que quer que seja que está no polo oposto ao que a nossa psique se encontra.

Tergiverso, para variar…

Não me apetece informar-me de forma compulsiva sobre tudo, tenho mais vontade de resistir a essa tentação e de ouvir a minha intuição, o meu instinto, e que se lixe. Adotar a prática de os ouvir, os considerar e os seguir, sem explicações, racionalizações ou justificações, nem mesmo para mim própria, é importante, fecha portas à manipulação, dá confiança, move montanhas. O artista que mora em mim está maior e mais gordinho do que o pesquisador, um não anula o outro, mas não dá para ficar no limbo e o artista, na grande maioria das vezes, tem ganho as batalhas, está mais forte, todos os dias. E eu gosto cada vez mais dele, cada vez mais me apetece dar-lhe asas, deixá-lo voar. Pô-lo a mexer-se, a produzir, como dantes.

Faz-me falta o Brasil…

You Might Also Like

error: Content is protected !!