Livre

Fazer-se difícil

02/11/2015

Conheço muitas mulheres apologistas desse método, o único que funciona, afirmam a pés juntos e de mãos postas, dizendo que só assim se seguram gajos, pondo-os a comer na palma da mão delas, deus me livre, e mais não sei quê.

Bom, eu não quero gajo nenhum a comer na palma da minha mão, muito menos a andar atrás de mim feito cão sem dono, ponho-o logo pra correr. Gajo que é gajo tem de ser homem. Homem suficiente para ser masculino e feminino, no sentido de saber chegar-se à frente e ao mesmo tempo não ser um bosta emocionalmente. Além disso, essa ilusão de que se segura alguém a jogar com as seguranças e inseguranças de outra pessoa é apenas isso, ilusão. Mexe com instinto de conquista no caso dos homens e eventualmente necessidade de acolhimento e identificação, de nos sentirmos desejados e necessários, por parte de ambos os sexos. Quando essas necessidades estão satisfeitas, ou deixam de estar e ainda não as resolvemos connosco, vamos à procura de alguém que no-las satisfaça. O que qualifica a relação como relação de poder, e não de amor, no limite, de afeto. E eu relaciono-me para ficar, o tempo que durar, mas para ficar. Os relacionamentos dão imenso trabalho e eu não gosto de perder o meu tempo com algo que não seja significativo. Demorou para ter consciência disto, mas desde que a tenho, não há como voltar para trás.

Com ou sem consciência, nunca fui disso, se estou interessada, mostro que estou, chego-me à frente e tudo, se for preciso, com sentido de humor, atitude e charme. Se há oportunidade, vou. Não se trata de estar sempre disponível para os outros e pouco para mim, muito menos de dar prioridade aos outros. Afinal, se vou, porque quero, me interessa e me apetece, a prioridade também é minha, a vontade também é minha. Não tem vitimismo nem agora vais ver. Isso é jogo de poder e eu não tenho muita paciência para joguinhos, sejam lá eles do que forem. Se é pra ser, que seja logo, se não é para ser, que saiba logo. Agora aquele nhénhénhé de ora vai, ora não vai, ora quero, ora agora espera, epá não. O resultado? Não é, não vai ser, nem agora nem nunca mais, porque o meu tempo é precioso e a minha energia física e emocional é intensa e por isso esgota-se rápido perante alguém que ou não se decide ou gosta de se sentir poderosinho, Não há paciência, ainda para mais depois dos 40. Se, nesta altura do campeonato, ainda não percebeste onde és e não és poderoso e precisas de o afirmar a toda a hora, meu caro, temos pena, não é à custa dos meus sentimentos, emoções e desejos que vais consegui-lo.

Jogo da conquista? Ah, meu amigo, esse leva tempo e dura a vida toda. Mas não se prende com o usar as seguranças e inseguranças de cada um, a manipulação, o cansaço emocional, prende-se com algo um pouco mais corajoso, a surpresa boa, o afeto inesperado, o desejo expresso a meio do dia, via sms, com jeito e sensibilidade, e uma sacanagenzinha pelo meio, se o clima esquentar e o timing for apropriado. Algo que nos desconcentre no meio de uma reunião de trabalho, que nos faça querer que o dia acabe rápido para pormos em prática tudo o que fantasiámos durante o dia. E tal…

E eis que hoje me deparo com um artigo*, que explica tudo muito bem explicadinho, com direito a estudos e a lógica, e que diz, entre outras coisas, o seguinte:

A hallmark principle of social interaction is that liking is reciprocal: We like the people who like us. If someone is playing hard to get, then they’re not giving the signals of liking that could spark a return in those emotions. Essentially, playing hard to get generates less positive evaluations than more open alternative strategies.

romantic interest can be divided into liking (i.e., positive evaluations) and wanting (i.e., motivated desire). Previous research, noted above, suggests that playing hard to get might lower liking—but what’s its effect on wanting? It turns out, if you want someone to want you, playing hard to get is a good option.

Playing hard to get induces wanting, but not liking when an initial degree of interest was already in place. Depending on your goal, then, playing hard to get could be a useful tactic—for example, if you’re looking for a short-term fling or if you desire a lot of attention but not relational security.

The alternative—being straightforward and consistent in your positivity, responsiveness, and openness—is a much more effective method for increasing someone’s positive feelings for you.

Liking still breeds liking, but playing hard to get breeds desire: You always want what you (think you) can’t have.

Fazermo-nos difíceis cumpre uma função, mas, a longo prazo, não resulta nem resolve. Somos mulheres, por mais masculinas que sejamos, não homens. E que fossemos, estou convencida de que, no fundo, no fundo, todos queremos o mesmo, usamos é métodos diferentes para o conseguir e só precisamos de ser compatíveis. E essa compatibilidade vai além do tempo psíquico presente e passado. E muito além do desejo, que pode ser o que espoleta, o que mantém o interesse, mas não é o que sustenta relação nenhuma digna desse nome.

De resto, desejo é relativamente fácil de sentir e de materalizar, o que mais para aí há é gente com quem matar o desejo, basta ter um palminho de cara e corpo que nos agrade. Já para o resto, é preciso um bocadinho mais do que isso. E se é para investir, que seja pra valer, com tudo a que tenho direito, nomeadamente o resto.

*Via

You Might Also Like

error: Content is protected !!