Feira

14/05/2017

Se é para acordar cedo ao fim-de-semana e me enfiar numa feira um dia inteiro, que renda. Foi o que pensei quando vi este date e a oportunidade surgiu. Porque estou farta de só doar. O estado das coisas nem sequer está em causa, não doo o que não esteja em bom estado, quando mais vendê-lo. E há coisas boas, e caras, com pouco ou nenhum uso, que me custa doar.

Na feira da ladra não me apanham, já não tenho nem idade nem vida para isso. Vai daí, achei que esta era uma boa oportunidade para o artista que há em mim tirar todas as poucas dúvidas que ainda lhe restavam: se dependêssemos de um negócio para viver, morreríamos de fome ao fim de uma semana.

Ainda não era meio-dia e a introvertida que há em mim já pedia clemência

Nesta feirinha que servia para se vender o que se quisesse e aproveitar para ajudar umas miúdas a viajar para os Açores, havia de tudo, menos clientela disposta a comprar. Tenho ideia de que a única coisa que se vendeu foi comida e umas peças de roupa nova a 5€, de uma loja que a costuma vender a preços menos acessíveis. O resto ficou tudo a arder, inclusive eu, que só lá fui enlouquecer a introvertida que há em mim, gastar gasolina, perder horas preciosas de sono e dinheiro.

Espero que as miúdas ao menos consigam ir aos Açores.

Havia três feiras nesse dia, no mesmo espaço. Uma delas DENTRO da igreja. Andou o JC a expulsar os vendilhões do templo à chibatada para isto. A nossa, mais escondida, saiu prejudicada. E eu, enquanto me lembrar, não me meto noutra. Pensar que quase, quase não fui. Mas antes ter ido e me ter arrependido do que ficar com o karma de não o ter feito e achar que perdi uma oportunidade qualquer.

De resto, é engraçado perceber como os portugueses são pobres mas orgulhosos. Em cidades como Londres, Berlim, as lojas de roupa em segunda mão são um prato cheio. E ninguém tem vergonha de as frequentar. Aqui, parece que é uma cultura que não chega… A de reaproveitamento dos recursos, dando-se preferência ao mostrar que se pode, ao consumo, mesmo que de peças de fraca qualidade, como as que se vendem nas lojas dos chineses. A venda de garagem ser a coisa mais normal do mundo nos EUA, país de recursos, e no Brasil ser considerado uma vergonha. Entre outros exemplos.

feira

Artist’s Date 133/365 – Go to a flea market

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