Até Sempre, Livros

Fora da Caixa e Até Sempre – Testemunho

07/04/2022

Quando nos lêem assim, sabemos que vale a pena continuar a escrever e a publicar livros. Aqui fica o testemunho da Luisa Barreto, sobre o Fora da Caixa e o Até Sempre. Que me comoveu até aos ossos, pela sensibilidade e a profundidade.

Muito obrigada, minha querida.

“Desde os primeiros livros escritos pela Isa ficou claro, logo de saída, que se tratava de um convite a adentrar uma longa jornada. Fui descobrindo nessa andança uma outra categoria de livro. Não os classifico nem como “sobre” psicologia, nem como “de” psicologia. A tênue fronteira que existe entre ambas as preposições nos mantém ainda um pouco engessados no viés teórico, numa certa expectativa de nos saltarem aos olhos explicações psicológicas sobre os significados existenciais da Jornada do Herói.

O cruzamento, no entanto, entre jornalismo literário, psicologia e os relatos e textos diários que Isabel publica em seu blog trazem uma nova perspectiva literária, que ela bem soube resumir como “Psych Books – Encontros com a Psique”. Todas as formas de escrita que brotam de suas mãos caminham juntas de uma forma muito íntima, pois são uma elaboração constante e cotidiana de eventos, coisas, sentimentos, situações. E atravessar o arco temporal que vai do Fora da Caixa ao Até Sempre nos mostra isso.

O Fora da Caixa, embora tenha sido publicado bastante tempo depois de ser escrito, é o início dos registros em livro da jornada da Isabel. Essa que é muito mais antiga que o livro. Todo o processo de trazer à luz os enfrentamentos, mortes e renascimentos, se encadeiam nos livros de uma forma muito natural, perpassando questões que todos nós vivemos como a relação com a família, profissão, amores e a morte – a mais dura de todas as nossas passagens.

E é aí que eu começo a escrever no plural e me sentir parte da jornada da Isabel. A jornada se abre para você, e o primeiro passo é aceitá-la. Através da jornada da Isa, caminhando com ela, eu percebo a minha. A cada momento de tomada de consciência dela me sinto também olhando para os meus próprios movimentos e enxergando o que há de mais universal no individual e o que há de mais coletivo nos escritos dela.

Foi quando percebi que toda Jornada tem começo, meio e fim – não um fim permanente, mas uma possível amarração de algo que foi elaborado. Como na cena das cerejas que, quando puxadas uma ou duas, as outras são carregadas na mesma tirada, formando uma possível amarração, uma conclusão importante ou mesmo um bom ponto final em um conjunto de outras resoluções. Suas descrições sobre a descoberta do amor pelo cozinhar e os desafios de se pôr a correr me mostram isso.

Esse ápice é o que sentimos em Até Sempre.

Quando me deparei com os subtítulos, um seguido ao outro “Todos os Lutos” e “Luto e Renascimento”, no livro Até Sempre, simbolicamente por volta da página 100, um número que indica um bom caminho andado e um estado de lucidez misturado a uma sensação ainda de aceitação e revolta, pensei: agora tudo, tudo virá como uma enxurrada, de uma vez só para a consciência. Calma, Isabel, o mais novo renascimento está ainda mais próximo!

Ela entendeu o ponto da jornada em que estava e com isso iluminou o meu momento como leitora. Sabia a essa altura que não seria fácil e que ainda faltava muito chão pela frente. Sua caminhada foi árdua. Perdemos juntas o fôlego. Eu, junto com ela na leitura, pensei, ou melhor, com certeza pensamos: quando isso tudo vai acabar? O Bugio estava lá para nos olhar e dizer: vai, filha, vai passar…”

Luisa Barreto

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