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Free at last

27/06/2013
Por motivos que não importam, amanhã teria uma das meias horas mais difíceis da minha vida. O meu estado emocional encontrava-se debilitado como há muito não me acontecia, e precisaria de fazer qualquer coisa para me conseguir controlar, segurar, chamar a Atena e mantê-la presente todo o tempo que conseguisse. Sem um único vacilo, nem um… 
Pensei no que fazer para me dar alguma estrutura, alguma confiança, sim, era grave a este ponto. Ao ponto de ter quase desistido de uma coisa a meio, coisa que nunca, nunca fiz na vida. Apercebi-me muito cedo na vida que se desistimos de algo a meio nunca levaremos nada até ao fim. E eu sou de ir até ao fim das coisas, de todas as coisas. Até esgotar todos os meus recursos, que são muitos, muitos mesmo… 
Dei-me conta que só nos lembramos de nós, só cuidamos de nós quando já estamos muito além do que deveríamos, como último recurso, quase uma questão de sobrevivência… 
Para além de uma roupa cheia de pinta, uns saltos altos Fly, uma make up básica. Make up, eu… Lembrei-me de ir fazer as unhas, coisa que já não fazia há um mês, obriguei a miúda a tirar o verniz que me tinha sugerido e a pôr-me Gabriela, que adoro e lhe tinha pedido. Além disso, fui fazer uma massagem, a ver se libertava a tensão do corpo e os sentimentos ruins que se me tinham acumulado no coração há uma semana. A minha cabeça, meu deus, não quero nem pensar… A massagem saiu-me melhor do que a encomenda, saí de lá quase sem ombros, de tão leve que a mulher me deixou, abençoadas mãos. É do babado, diz que quando me tocou se arrepiou dos pés à cabeça, de tanta coisa ruim que o meu corpo tinha acumulado. Ela falou comigo, também, foi uma linda. A conversa e a massagem fizeram milagres, mas a minha cabeça voltava, com alguma frequência, para onde não devia. 
Além de me ouvir há uma semana, a linda da Silvia tinha comprado torta de morango. Mais cedo, tinha sido testemunha de um ataque de desespero como nunca me tinha visto. Soube-me pela vida, a torta…
Subi e pedi para me confirmarem o encontro de amanhã, e eis que soube da melhor notícia dos últimos tempos. Não só não haveria encontro como o encosto que me andava a massacrar há uma semana tinha desistido do projeto. Somos todos muito fodões à distância, no cara a cara é que é o diabo… E quanto mais gritamos, mais estúpidos somos, mais tentamos intimidar os outros, mais cobardes nos revelamos…
Afinal, o pesadelo acabou muito mais cedo do que imaginei e a minha coragem é bem maior do que alguma vez supus. Agora é esquecer o mais rápido que puder, recuperar a alegria e a vontade e seguir em frente, que o tempo ruge altíssimo…
Seja como for, o que importa é o que fica no fim de tudo. A promessa e a lembrança de que nunca mais, mas mesmo nunca mais, posso dar tanto poder a alguém ao ponto de me deixar chegar ao estado em que fiquei hoje. Ter ataques histéricos, de desespero, de quase enlouquecer. Os outros só têm o poder de nos enlouquecer se nós deixarmos. E o que nos permite deixar-nos chegar a esse estado é que precisa de ser revisto. Identificar gatilhos que nos fazem agir sem pensar, sem considerar todos os lados da equação, nomeadamente o preço que pagaremos por darmos voz a quem não devemos dentro da nossa cabeça. Quem precisa de atenção, acolhimento e reconhecimento na nossa cabeça? São esses que nos fazem ir além dos nossos limites. E, garanto, o ónus é alto demais, demais… 

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  • Ana 27/06/2013 at 11:21

    A sensação de alívio é das melhores que podemos ter na vida, não é?:)

    • Isa 27/06/2013 at 14:11

      nossa, sorri, a sério, dps de uma semana. e olha que eu sou de sorrir e rir todos os dias… :)

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