Livre

1K/1S/3M – Há Amor no paredão

04/11/2016

Tenho um plano, o de emagrecer um quilo por semana, durante três meses. Comigo tem de ser assim, devagar, para me dar tempo, não pode ser tudo à bruta, ou os quilos ser-me-ão devolvidos à bruta também. Os hábitos mudam-se aos poucos, para o corpo se habituar e o cérebro se desacostumar. Nós não sabemos, mas ele tem as suas próprias rotinas, quebras, desejos, à hora certa, é como se estivesse permanentemente grávido e com apetites, caprichos, guinchos de criança mimada que não se cala enquanto não lhe fizermos a vontade. 14958513_1822723337973042_1478497442_n

Comecei hoje. O plano é pesar-me todas as sextas-feiras na farmácia da esquina, a ver se me lembro de levar os mesmos ténis. Começou por me dar mais 200g, o que na atual conjuntura é pouco relevante, e de me tirar três centímetros em altura. Só acrescenta e tira no que não deve. Tudo bem, para a semana endireito-me, para tirar teimas.

O primeiro passo para mudar é aceitar o que nos está à frente dos olhos, o ticket da balança não me permite iludir-me. E impede-me de neurotizar e obcecar em relação ao peso que perco e ganho. Se tivesse uma balança em casa, que deixei de ter desde que fui para o Brasil, o meu medidor é a roupa, que é mais ou menos como o algodão, não engana, facilmente cairia na neurose de me pesar a toda a hora e no comportamento autodestrutivo de comer mais caso já tivesse conseguido emagrecer o que queria. É por isso que não há receitas universais, e a terapia é individual, porque cada um é mesmo cada um e os seus comportamentos e respetivos gatilhos são pessoais e intransmissíveis. Bem como as tomadas de consciência em relação a padrões comportamentais.

Se antes dos 40 perdia peso com alguma facilidade, agora é o diabo para mandar cada grama às urtigas. Mas estou decidida a levar a minha avante, até porque nunca estive neste estado e não quero fazer disto um hábito. Independentemente do que me levou a tal, deixar de fumar. Não dá para substituir uma droga (nicotina) por outra (açúcar, seja lá de que cor for). Não sei ainda como vou fazer, para além de parar de comer açúcar, bons tempos em que só isso bastava, de me mexer e de beber um litro e meio de água por dia. Para já, para já, é o que me ocorre, depois, quando começar a ser mais difícil, logo se vê se precisarei de passar fome. Emocionalmente, e ao fim de um ano, parece que tudo se vai ajeitando, são esses pelo menos os sinais que o meu corpo me dá. Pode ser que ajude. Saber que consigo correr um quarto de hora seguido com alguma tranquilidade depois de tanto tempo sem o fazer dá voz de comando à teoria que diz que os músculos têm memória e que rapidamente voltam à forma, independentemente de não terem sido exercitados ao ritmo a que os acostumei quando andava a correr desenfreadamente. Por causa daquele problema coxal, apenas tenciono correr e caminhar três dias por semana, nos outros dois, exercícios de tonificação, e a ver se desta vez incluo a barriga e os braços, o meu foco é sempre, sempre nas pernas. No primeiro mês será assim. No segundo, vinte minutos a correr, dez a andar. No terceiro, meia hora a correr. Não me arrisco a mais, não enquanto não me certificar de que posso, sem correr grandes riscos físicos. O meu ego ainda não é maior do que o conjunto.

Outra coisa que faço é, num caderno, onde já agrafei o ticket da balança desta semana, registo tudo o que como. TUDO. E as vontades que tenho, de quê, porquê e de onde surgiram. Normalmente, de uma frustração qualquer não expressa. São mecanismos levados do diabo os do nosso cérebro. Que funciona como o de um agarrado ao cavalo. Toda a criatividade e inteligência de que dispõe é concentrada na busca do açúcar, no caso dos agarrados, do pó. E as manobras que usa para nos ludibriar são de uma inteligência e de uma manipulação dignas de um psicopata. Não fosse o meu próprio cérebro seria assustador.

Alguém está apaixonado e resolveu expressar o Amor no passeio marítimo onde corro. Há corações por todo o lado, amarelos, brancos, prata e vermelhos, cheios e vazios, uma alegria, uma inspiração.

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  • Bel 06/11/2016 at 10:23

    Calma, moça! 1kg por semana não é “devagar”! Você pode conseguir no primeiro mês, mas depois vai ficando mais difícil. .. Estou neste processo desde novembro/2015 e no primeiro mês foram -5kg. Vibrei!!! Mas depois estou numa média de -1kg / mês. E estou ótima!!! Não sofro com dietas e a minha atividade física é dançar. Aos 51… Estou no lucro!!!
    Beijos!

    • Isa 06/11/2016 at 12:37

      :) vamos ver como corre :) Bjo

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