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Hotel Marigold

18/08/2012
Outro dia li um artigo na Época sobre os idosos e o facto de estarem a ser retratados no cinema, com alguma frequência e muito humor. A chamada era um filme novo com o De Niro e isso é suficiente para me fazer ler o artigo e tentar não me esquecer do título do filme, para o ir ver assim que sair. Não imagino um mundo sem o De Niro… Enfim, o artigo tinha alguns dados que agora sou incapaz de reproduzir, mas que falavam do envelhecimento da população no mundo e no aumento brutal da percentagem de idosos daqui a não muitos anos, onde me incluirei, se lá chegar. Daí a necessidade de expor o tema no cinema, sexualidade incluída, parar de fazer dele tabu, parar de fingir que a questão não existe, ajudar os velhinhos a não se sentirem tão sós, tão pouco úteis e tão a mais, tão pesados, um fardo, é assim que são vistos, é assim que muitos deles se sentem, paremos de atirar areia para os olhos, e parar de falar só sobre a adolescência, como se não houvesse outra idade para retratar. E se é para fazer filmes do tipo american pie mais vale estarem quietinhos. Bom, o artigo referia uns três filmes, nos quais se incluía este do cartaz, entre outros que não me lembro, um deles acho que francês, para ilustrar a questão da terceira idade e falar do sucesso dos mesmos, para chegar, finalmente, ao do De Niro, precisamente sobre o mesmo tema. 
Coincidentemente, na locadora aqui do bairro, este tinha acabado de sair e estava anunciado bem na porta. Trouxe-o este fim-de-semana e adorei. É britânico, epíteto de bom, e explora bem demais a questão, retratando-a de forma inteligente, mas com alguma leveza, sem nunca cair no clichê. Fora que os velhinhos têm cara, corpo e movimentos de velhinhos, e não de velhinhos plastificados, vão para a Índia e só isso é motivo para grandes gargalhadas. Desengane-se esse povo que vai pra Índia achar que descobre a espiritualidade perdida, antes pelo contrário, irrita-se todos os dias. O filme retrata isso com graça e mostra-nos outros pontos de vista sobre o país, basta que olhemos para ele de outra forma, que a nossa experiência tenha sido boa, que nos tenhamos permitido isso. Não foi o meu caso e não volto à Índia nem morta, a não ser se aterrar em Goa e não sair do sul. E mesmo assim tenho as minhas dúvidas… 
Isto para dizer que é mais um filme que vale a pena. Se há vezes em que os filmes que vejo, vejo muitos, é uma das minhas grandes paixões, das minhas grandes fugas, das minhas grandes inspirações, dos meus grandes prazeres, são quase uma perda de tempo, ontem aconteceu exatamente o contrário. O Pleasantville, que apanhei por acaso na TV, este e o que dá sequência ao Laços de Ternura, quem não viu e não se comoveu com esse, que atire a primeira pedra, e, caso tenha gostado, é ver o outro, chama-se Entardecer de uma estrela (BR), The Evening Star, no original, e começa 15 anos depois de Emma morrer. Muito, muito bom. Acho que vou ver o Laços de Ternura outra vez, só por causa disso…       

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  • a mulher certa 19/08/2012 at 18:00

    Adorei este filme.

    • Isa 19/08/2012 at 18:01

      é maravilhoso :)

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