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I don’t know what you want but I can’t give it anymore*

06/06/2014

Mais do que a falta de reconhecimento, a necessidade de atenção, mais do que a perda de controlo sobre o outro, embora esta tenha muitas vezes resultados semelhantes, acima de tudo por sentirmos que se está a afastar, mais do que a falta de dinheiro, embora este seja muitas vezes crucial, por nos permitir uma certa independência, mais do que a falta de uma família, de amigos, de amantes, mais do que a falta de um trabalho, mais até do que a falta de qualquer forma de expressão da nossa alma, o que nos tira do prumo, do norte, do sul e da bússola inteira, é a falta de afeto. Explícito. É a falta de toque, de abraço, de acolhimento, de carinho e de consideração. De amor, portanto. É isso que nos deixa capazes de tudo, que nos permite sermos tomados pelos nossos piores demónios, que deixa que qualquer coisa se sobreponha, seja a nossa mãe-bruxa interna, seja o nosso pai interno autoritário, seja o nosso animus descompensado, seja a nossa anima voluptuosa. É a nossa incapacidade de sermos afetuosos, de recebermos afeto e o aceitarmos sem querermos esquivar-nos dele que nos leva às maiores loucuras.

Uma forma de nos livrarmos da perseguição alheia, que pode vir de quem vive connosco ou até mesmo de quem não conhecemos de lado nenhum, é perguntar-lhe o que quer. É uma pergunta que raramente me lembro de fazer, apesar dos resultados serem por demais benéficos, muito melhores do que tentarmos controlar o outro para fazê-lo parar de nos indispor. A pergunta: o que é que tu queres, feita de coração aberto e não de uma forma defensiva, desarma-nos por completo, o que, parecendo que não, é bom, mas também nos obriga a pensar no que queremos e, mais importante do que isso, a verbalizá-lo. Pode acontecer que não saibamos, estamos tão acostumados a satisfazer as necessidades do coletivo que nos esquecemos das nossas, achando muitas vezes que nem sequer as temos. E está longe de ser respondida apenas pelo intelecto. O que nós queremos verdadeiramente está escondido no nosso coração. Protegido muitas vezes pelo ego, pelo intelecto. É nesse momento que o ego, de ambos, precisa de abdicar da sua necessidade de controlo para que consigamos chegar verdadeiramente ao mais fundo de nós mesmos e ao outro, a quem ele é de verdade, além da persona, do ego e da sombra.

*Título roubado aos PSB, cuja letra, só por acaso, se adequa imenso…

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  • Elaine 06/06/2014 at 11:07

    Eu, por exemplo, não tenho a menor ideia do que quero. Uma boa medida inicial seria descobrir. Mas depois que se descobre faz-se o que com isso? Porque está difícil achar uma garrafa com o gênio para satisfazer nossos desejos.

    • Isa 06/06/2014 at 12:56

      ahahahaha :D

  • andres 06/06/2014 at 18:58

    boa tarde Isa!, eu acho que este é seu nome.=)
    Quería pedirle si es posible me envíe este post vía email a la dirección que le dejé en el mensaje.
    Desde ja fico muito obrigado.
    Muy bueno su blog, lo leo habitualmente )
    até logo.
    andrés

  • Adriana Isabel 07/06/2014 at 15:58

    este post podia desdobrar-se em dois…

    • Isa 08/06/2014 at 01:01

      parece que não, mas os dois parágrafos estão relacionados… ;)

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