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"Inveja do pénis" my ass, salvo seja…

26/04/2013

A teoria de Freud sobre “a inveja do pénis” é conhecida de muita gente, vaticinando as mulheres a uma vida de miséria, castração e inveja. Se esta teoria fazia sentido numa sociedade patriarcal, falocêntrica, numa sociedade em que a alteridade impera – masculino e feminino em harmonia, embora muito, muito difícil de alcançar – esta teoria está absolutamente desfasada da realidade. 

De caras, porque as mulheres não precisam de um pénis, principalmente quando não serve para mais nada a não ser para satisfazer o seu dono, que o usa apenas para dar vazão ao desejo, seduzindo e manipulando a seu bel-prazer. Depois, porque as mulheres têm o seu próprio órgão de prazer, o que, lamentavelmente, muitos homens desconhecem e, muitas vezes, não querem nem saber. Por outro lado, a excisão das mulheres em alguns lugares do mundo choca o ocidente, mas o ocidente continua a excisar as mulheres, mentalmente, acho lamentável, ainda assim, nós temos opção, mais tarde ou mais cedo, temos, se nos conseguirmos livrar da castração a que nós mesmas somos votadas, pela família, pela sociedade, pela educação, por nós mesmas.

A questão da inveja do pénis, por mais que possa parecer, não é uma questão das mulheres, mas sim dos homens, independentemente de vir a ser uma questão para as mulheres, por extensão, digamos assim.
*Quando, aos dois anos, os meninos percebem que eles e a mãe não são um só, que eles não são a mãe, pela diferença óbvia, e lhes dizem, tu és como o pai, (e isso é bom…) eles aceitam, mas registam, na grande maioria das vezes, fico com o pénis, mas sem o coração. E param de sentir… O seu lado afetivo é, neste momento, mutilado, porque se o arquétipo (potencial) não for ativado, não funciona. Quando eles usam os saltos altos da mãe e se querem vestir como ela, o que estão a tentar resgatar é isso mesmo. Quando crescem, não só lhes é difícil chorar, como a busca pelo que querem passa a ser feita através do arquétipo patriarcal, à força, seduzem para satisfazer o desejo, para receber o abraço, o primeiro, aquele que lhes foi tirado na infância, e adeus, sem afeto, muitas vezes muito, muito narcisos.

É por isso que muitos homens buscam em todas as mulheres com quem se relacionam resgatar a mãe que lhes faltou, muitas vezes ficando com mulheres que, de alguma forma, lhes lembram as suas mães. É por isso que há por aí muita mulher que não gosta da intimidade, porque nós precisamos de afeto, o tal que é o alimento do espírito na infância e sem o qual nos tornamos muito aquém do que poderíamos ser. Independentemente disso, somos mulheres e connosco é assim que funciona, com afeto, com carinho.

*Esta teoria (bem como a constatação da excisão mental das mulheres) é de um psicanalista brasileiro chamado Byington, que insiste nela, na esperança que seja aceite, é “do sindicato”, como o próprio diz, com muita graça, e mantem-se firme e forte nos seus propósitos, apesar dos seus provectos 80 anos de vida.  Lindo, o velhinho. Alguém que o oiça, pelo amor de deus. 

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  • Vegan Wolf 26/04/2013 at 13:29

    "É por isso que muitos homens buscam em todas as mulheres com quem se relacionam resgatar a mãe que lhes faltou, muitas vezes ficando com mulheres que, de alguma forma, lhes lembram as suas mães."

    isto no, meu caso pessoal, é um dos sinais de alarme que me avisa que aquela pessoa não me serve.

    gosto muito da minha mãe, mas ainda bem que há só uma.
    duas ia ser

    • Isa 26/04/2013 at 13:32

      :D

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