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Ir ou não ir a jogo

17/07/2010

[Li este post da Suzi e lembrei-me deste. Entretanto, passaram mais de 4 anos e não mudo uma vírgula. Talvez mudasse o tom: eu é que sei, eu é que tou certa, a minha visão/postura é a única visão/postura decente no mundo e tudo o resto é uma cambada de gente sem carácter. Talvez…]

Um gajo para saber se vai ou não a jogo tem de conhecer as cartas, as suas, claro. Tem de saber jogar com as cartas que tem na mão. Ou não. Pode sempre não ir a jogo e ficar a ver. Mas a partir do momento em que vai a jogo, e que os outros também vão, um gajo espera que os outros jogadores joguem com as cartas todas, que não conhecemos mas que sabemos que são 5. Apenas 5.

À medida que o jogo se desenrola, um gajo tem de deitar cartas. É obrigatório. Ninguém pode ficar de fora. Guardar, ou não, os trunfos para o fim é perfeitamente legítimo. Faz parte da estratégia de cada um. O baralho só tem 52. Não há cartas na manga e este jogo não se joga com jokers. Estamos de igual para igual, entregues à nossa sorte. Resta-nos usar a inteligência, a estratégia ou os nossos conhecimentos. Por que não há cartas extra nem ninguém tem jokers, ganha quem for mais inteligente. Mais esperto ou quem tiver mais experiência.

Enquanto são jogos de cartas, enquanto jogamos para nos entreter, para passar o tempo, tem a sua piada. Quando jogamos a super liga da vida, das relações, sejam elas de trabalho, de amizade, de amor ou do que for, os jogos não acabam no Verão. Não há temporadas nem épocas. Há muitos jogos. Há muitos jogos e há muitos tipos de jogadores.

Prefiro sempre o confronto directo e por isso em geral não jogo. Não gosto muito de jogos, principalmente dos de poder. Implicam sempre a exploração da fraqueza de uma das partes. Ao invés do jogo de inteligência das duas. Também não gosto do anti-jogo, porque se estamos a jogar… E muito menos gosto de jogo perigoso. No caso deste, nunca, nunca vou a jogo. Nem quando sei à partida que o meu adversário joga sujo. Jamais jogo sujo.

Não sei jogar. Não sei e também não sei se quero saber. Ou melhor, saber até sei mas se é para jogar, jogo com as cartas na mesa. Gosto de jogo aberto. Da disputa, da pica que dá cada jogada. Gosto de jogar com quem sabe jogar. Gosto de jogar sem batota. Sem que o outro se aproveite das minhas franquezas. Porque isso não é saber jogar. Isso é ser um merdas.

Até admito o bluff, afinal é uma carta disponível para todos jogadores. Mas não jogar com as cartas todas, ou jogar com cartas a mais, principalmente quando se sabe que o adversário está de jogo aberto, não revela inteligência mas sim filha da putice. Falta de respeito e desonestidade para com quem se joga. É uma traição às regras do jogo. Que pode ser mais ou menos grave. No caso da Hillary Swank, no Million dollar baby, a traição acaba mal. Ela ficou tetraplégica por causa de um golpe sujo, à traição. Foi tão grave que a impediu de (sobre)viver.

Se o meu adversário vê que jogo aberto, não é capaz de o fazer e decide ir a jogo na mesma, o meu adversário, para além de estar a trair a confiança que depositei nele, está a aproveitar-se de uma situação de desequilíbrio. Ganha o jogo, claro, porque esteve sempre em vantagem.

Mas que dizer do meu adversário? Que joga a levar vantagem sem que eu saiba que ele a leva? Que joga sem regras? Que não respeita o jogo, as suas regras e muito menos o seu adversário? E que dizer do meu adversário quando, ainda em jogo, tem a oportunidade de se redimir, de tirar as cartas da manga e os jokers e de os pôr de lado e não o faz? Vai até ao fim, sabendo que estou em desvantagem e a jogar de jogo aberto. A ser frontal, a enfrentar o touro pelos cornos. A jamais fugir. A deitar cartas, sempre, o tempo todo. Que dizer de um adversário que é confrontado com a hipótese de abrir o jogo e continua a jogar não o abrindo? Que dizer de um adversário que só abre o jogo quando o jogo acabou?

Eu sei o que dizer e este jogo, com este adversário, não jogo mais. Não por mau perder, porque a meu ver quem ganhou fui eu, mas por falta de tempo. Porque não tenho tempo para perder com jogadores que não sabem jogar. Por que salto fora de jogos perigosos antes mesmo de eles começarem. Por que, e por mais que quisesse, não sou calculista, nunca fui nem quero ser. Por que se é para jogar sujo, não jogo. Não consigo. Nem quero. Não faz parte da minha natureza.

Não sei jogar, não gosto de jogar e recuso-me a jogar sujo. Prefiro não jogar. Prefiro o confronto directo, mano a mano. Porque aí sim, aí ninguém engana ninguém. Aí é que se vê quem é de facto bom. E eu sei que sou boa. E gosto! Durmo muito melhor, sem insónias nem pesadelos.

Até porque acabo por sair sempre, sempre a ganhar. E com um nível do cacete!
Março de 2006

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  • rita 03/03/2006 at 17:08

    Mai nada, amiga! Já somos duas.
    Bjs

  • ISA 03/03/2006 at 17:18

    Valeu, AMIGONA! bjs

  • bonifaceo 04/03/2006 at 15:57

    Não sei se sou bom ou não, mas grande jogador não sou de certeza e odeio batota, mas os batoteiros são muitas vezes os que melhor se safam, até em relacionamentos e são os melhor aceites, mesmo quando o outro lado o sabe, e mesmo assim os escolhem.
    Beijo.

  • ISA 04/03/2006 at 16:38

    eu quero acreditar q n, Boni. Quero mesmo acreditar q n. mas ainda assim, ainda assim eu prefiro sempre dormir de consciência tranquila!

  • Susana 07/03/2006 at 01:18

    A mim, esta conversa só me dá vontade de jogar um ELEVEN!! E com a Cláudia (que é como quem diz com batota!!) Com batoteiros assumidos podemos nós bem… dissimulados é que nem vê-los!! Vai de retro!!… Xô galinha!!

  • ISA 07/03/2006 at 01:46

    Boa c’rida Preta, boa! bjs mil

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