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Isso de ser bonzinho

20/03/2013

Não sei se é a tradição judaico-cristã, se é uma crença profunda de que se formos bonzinhos, os outros gostarão de nós, se formos sensíveis, se formos atenciosos, se estivermos lá por eles, pelos que acreditamos serem nossos. Não sei, sei que me deparo com a questão: até que ponto ser bonzinho para o outro não significa ser mauzinho pra nós? Até que ponto ser sensível ao momento que o outro atravessa, agindo de acordo e estando lá por ele, não implica ser insensível em relação a nós mesmos, ao que sentimos, ao que queremos, às nossas necessidades básicas de amor, afeto, carinho e atenção, e respeito, acima de tudo respeito, principalmente quando os atropelamos, quando deixamos que o outro os atropele… Até que ponto as ignoramos para satisfazermos as do outro e assim ele ficar em paz conosco. Até que ponto isso é esquizofrénico, configurando co-dependência, ou é simplesmente fazermos o que pudermos e o que soubermos para manter uma relação, seja ela de que tipo for? Até esgotar, até termos a certeza de que não é aquilo, para não corrermos o risco de daqui a 5 anos estarmos a passar pelo mesmo, pela mesma dúvida, pela mesma tormenta.

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  • Espiral 20/03/2013 at 14:29

    Eu sofro um bocado disso não a nível de relações pessoais emocionais e particulares mas no global e profissionalmente.

    Não sei se é mesmo de mim ou é adquirido mas noto que me lixo imensas vezes assim.

    • Isa 20/03/2013 at 14:32

      Pois…

  • Ana 20/03/2013 at 14:35

    Eu acho que o problema é esse, é termos de chegar ao ponto de esgotar. É que se, por um lado, isso significa que vamos ter certeza de que não é aquilo, por outro, vamos correr o risco de esgotar para tudo o resto também. E ninguém deveria chegar a esse ponto.

    • Isa 20/03/2013 at 14:37

      hmmm, esgotar pra tudo o resto? exprica :)

    • Ana 20/03/2013 at 14:45

      Simplesmente deixarmos de querer ser "bonzinhos" para toda e qualquer pessoa, deixarmos de querer ceder em qualquer relação futura (seja ela de que tipo for), deixarmos de ser sensíveis ao estado dos outros, ou seja, sentirmo-nos esgotados antes mesmo de darmos o benefício da dúvida.

    • Isa 20/03/2013 at 14:50

      sim, corremos esse risco, mas acho que a questão é estabelecer limites, como é que isso se faz não sei… e tb acho que o sentimento, se existe, fala sempre mais alto, é o último a morrer… e enquanto ele não morre…

    • Ana 20/03/2013 at 20:33

      E o sentimento por nós próprios? Não deverá esse falar mais alto? Ou talvez tenha sido eu que me tornei um bocadinho egoísta, mas já não me consigo imaginar a colocar os sentimentos pelos outros em primeiro lugar…

    • Isa 20/03/2013 at 21:37

      sempre, sempre os nossos em primeiro lugar, sempre.

  • Lita 20/03/2013 at 14:56

    A resposta está no Amor.
    Se amamos o outro, o tempo que lhe dedicamos, a escolha que fazemos em prol dessa pessoa/actividade deixa-nos felizes, preenche-nos.
    Se não amamos, e fazemos as coisas apenas e só porque é o politicamente correcto, porque sentimos que é a nossa obrigação (social, de filho, de neto, de nora/genro, de funcionário…) violentamos a nossa essência e ao contrário

    • Isa 20/03/2013 at 14:58

      Mas aí tu vives a vida do outro, em função do outro, não a tua, não o que queres… mesmo… verdadeiramente… honestamente… não sei até que ponto isso é saudável…

    • Fuschia 20/03/2013 at 15:33

      Mas o primeiro Amor é connosco próprios. Eu acho que esta questão não tem uma resposta definitiva, acho que isso se vai vendo, essas fronteiras são maleáveis e cabe a cada um as ir observando e vendo se ainda está feliz com elas ou não.

      Por exemplo, a maneira como uma mãe lida com um filho de 1 ano é diferente de como lida com ele aos 10 anos. A dependência é diferente e cabe a ela

    • Isa 20/03/2013 at 15:38

      Vamos tirar o amor de mãe de fora disto, porque o papel dela tb é educar, coisa que não é no caso de dois seres adultos… ng admite liçãozinha de moral no estado adulto, eu não admito, era o que faltava, ng é modelo de virtudes nem tem moral pra isso ;))

      o problema dessas fronteiras é até onde deixas o outro ir, e uma vez extrapolado o limite é mt fácil voltar a deixar que isso

    • Fuschia 20/03/2013 at 15:58

      Discordo, para mim o amor de mãe implica muito mais do que apenas ensinar moralidade. E quantas mães com falta de amor próprio sufocam os filhos porque querem receber o amor incondicional que não têm por si próprias?

      Mas se queres olhar para uma relação entre dois adultos, a minha resposta é a mesma. Os limites são criados conforme vamos crescendo. Experimentando, crescendo, mudando,

    • Isa 20/03/2013 at 16:31

      Não me ouviste falar em ensinar moralidade, ouviste-me falar em educar… coisa que não admito em adulto nenhum, nem mesmo aos meus pais, o que eles podiam fazer por mim nesse quesito já fizeram.

      "como podes saber que algo ultrapassa um limite, sem antes ele ter sido ultrapassado?" tu sentes quando te estão a violentar, sentes mesmo… no coração, o nosso problema é

    • Lita 20/03/2013 at 16:59

      É isso mesmo Fuschia :)
      Quando estamos de bem com nós mesmos, quando gostamos do outro, fazemos as nossas escolhas sem estarmos à espera de algo em troca. É uma escolha saudável. E como escolha saudável que foi, se um dia a relação acabar ou modificar, não fica a angustia, ou o arrependimento, e muito menos a cobrança daquilo que se fez! Eu nunca irei cobrar aos meus filhos as noites que não

  • Isa 20/03/2013 at 15:17

    Agora que penso nisso, quando é amor amor, talvez não precisemos de chegar a esse ponto… ao ponto de não retorno…

  • maria madeira 20/03/2013 at 21:13

    Isto gerou em mim alguma confusão e confesso que não faz muito sentido na forma como vivo a vida. Quando ajudo alguém, não estou à espera de algo em troca. Se gosto de alguém não estou à espera de algo em troca. Se dou atenção a alguém idem idem aspas aspas. E por aí fora…

    E nem sequer tem a ver com o ser 'bonzinho', tem a ver com o não existir qualquer tipo de jogo da nossa

    • Isa 20/03/2013 at 21:53

      sim, as pessoas devem sentir um imenso prazer em serem infelizes. além disso, as relações são unilaterais, é isso.

  • Isa 20/03/2013 at 22:06

    E aí está, a psicologia nunca nos engana:

    They take but never give. Your friends are working against you if they always want to enjoy the benefits of your friendship, but never offer up any of their own. If you’re always helping them and supporting them but they aren’t willing to do the same for you, then you might need to find new friends.

    http://psych-quotes.tumblr.com/

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