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Itália, Florença e os italianos.

03/08/2015

Bem que já desconfiava e agora tive a certeza, os italianos são muito mais parecidos connosco do que os espanhóis. Não tem paciência nenhuma para a indecisão, identifiquei-me imenso, comem pão às refeições, e são muito mais silenciosos do que os espanhóis, como nós. Falam alto quando se entusiasmam e o sangue corre-lhes nas veias, quando lhes chega a mostarda ao nariz, exatamente como nós. Também bebem o cafe em dois segundos, ao balcão, como os lisboetas, e uma italiana em Portugal chama-se italiana porque o café dos gajos consiste em dois dedos desse líquido mágico, basicamente, um shot. Felizmente e infelizmente, os italianos têm muito mais cara de pau do que os portugas. Se é bom não ter de dar pinotes e fazer o pino para atrair a atenção deles, basta basicamente existir, ter um palminho de cara e sorrir, às vezes conseguem ser inconvenientes e sem noção. Também tem narizes maiores, mulheres e tudo. E conseguem ser pior humorados do que nós, que ainda disfarçamos um bocadinho por conta da boa educaçãozinha e do complexozinho. E é isto que nos distingue deles. Os italianos não têm medo de nada nem de ninguém, não querem saber, não são co-dependentes. Têm tudo, de referência, e orgulham-se disso, sem falsa modéstia ou medo de ofender quem não tem, e não se ficaram por uma época ou fixados nas glórias do passado, como os franceses e como nós. Têm arte, nas suas mais variadas formas, literatura, pintura, escultura, música clássica, cinema, têm gastronomia, têm uma seleção nacional tri-campeã do mundo, têm indústria, fazem parte do G8, automóvel e de moda, Paris já era, os estilistas de renome mundial são italianos, são eles os mais elegantes, bonitos e sinceros, como cantaria a Marisa Monte, têm História e tradição, que aceitam sem complexos, têm a língua mais bonita do mundo, apaixonei-me logo assim que entrei num busão para ir de Pisa a Florença, só de ouvir a pergunta: é libero? feita por um giraço de um metro e oitenta, com quem vim a falar a viagem toda, ao mesmo tempo que me encantava com os campos infindáveis de girassóis do outro lado da janela, têm tudo, e não têm vergonha, deles mesmos, principalmente deles mesmos. 

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