Livre

Ivan, sempre.

03/02/2016

“Temo, pessoalmente, que nenhum arranjo seja capaz de conter o desejo humano. Ele está na nossa cultura e na nossa cabeça. As pessoas farão acordos e promessas, mas, frequentemente, um e outro serão quebrados diante de um impulso sentimental ou de prazer. Algumas pessoas são inclinadas a isso. Outras são naturalmente fiéis. Não é o combinado que assegura isso, é a pessoa – seu temperamento, seus valores, seu caráter, se quiser. Eles determinam quem ficará ou não na monogamia. Para evitar mentiras, é mais útil escolher as pessoas do que os combinados”.

Haveria imenso para dizer sobre o tema, vale a pena ler o artigo todo, que é, obviamente, escrito da perspetiva masculina. Digo apenas que a questão vai além do lógico e do racional, da ameaça e do controlo. Apesar de os meios para atingir os fins poderem ser esses.

Homens e mulheres são diferentes nas suas necessidades, ainda que tenhamos as mesmas para nos sentirmos minimamente bem. Mas, connosco, a coisa vai um pouco mais além do desejo, que não é de se desprezar, bem entendido, também nós temos pulsões, hormonas e vontades, e não são poucas. Só que isso não nos chega e não arriscamos toda uma vida por tão pouco, por um momento. O que nos dá segurança é o relacionamento, é ele que nos permite soltarmo-nos, entregarmo-nos, sem essa segurança não há totalidade. Já os homens precisam da conquista, é ela que os move, que os faz sentir vivos. Talvez tenhamos ambos de nos convencer de que não nos temos por garantidos, nunca, jamais, e, não em esforço, mas com vontade, nos predispormos a conquistarmo-nos todos os dias um bocadinho. Ou a redescobrirmo-nos, a vida toda. Porque, por mais que sejamos os mesmos, os nossos desafios psíquicos mudam a cada instante e a cada momento uma parte de nós é revelada, constituindo uma surpresa, agradável ou nem tanto, a toda a hora. Bom mesmo é termos liberdade entre ambos para sermos todas as partes de nós, o que geraria desejo, ou pelo menos interesse, vontade de saber mais, em vez de cristalizarmos na mulher chata e controladora e no cara distante e ausente.

E vivermos a nossa vida, cultivarmos os nossos interesses, independentemente de quem temos ao lado, parando de viver em função uns dos outros, em relações de co-dependência…

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