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JPCoutinho sobre conteúdos online pagos

17/01/2015

*Os bolds dão meus e a nota que se segue foi retirada da página de facebook do autor. Porque há, não sei porquê, a ideia de que se deve pagar tudo, menos conhecimento que podemos adquirir online. Sabe deus porquê, para algumas pessoas tem de ser grátis. Pagam conhecimento em universidades, cursos e livros, mas online não. As pessoas que escrevem e fazem disso vida são especiais, não precisam de pagar contas, a EDP, a EPAL e a GALP aceitam crónicas em troca de bens e serviços. É este tipo de problemas que o comunismo não resolve…

Contabilidades: as crónicas da “Folha” demoram dias a ser escritas. Começa por haver assunto; depois, leituras sobre o assunto; finalmente, as tardes de domingo são devotadas à carpintaria da coisa. Pergunta: será que eu devo ser pago por isso? Melhor: será que um médico deve ser pago quando realiza uma cirurgia? E um advogado? Será que ele tem direito – mesmo – a ser pago pelo cliente quando defende uma causa qualquer?

Com a devida vénia, eu creio que sim. Embora reconheça que o mundo pense que não – no caso dos colunistas, entenda-se, não dos médicos ou dos advogados. Escrever é um “hobbie”, diz o mundo; uma forma de matar o tédio, como fazer legos ou colecionar selos. Deve ser por isso que me chegam convites para escrever para aqui, ou para ali; ou para fazer uma conferência acolá – sem que o vil metal seja alguma vez referido. Quem convida parte sempre do pressuposto de que usar os neurónios e preparar um texto (ou uma apresentação) é uma grande honra para o convidado. Quando chegam as contas ao fim do mês, o convidado pagará o uísque das crianças com… a honra.

Verdade que a culpa não é inteiramente de quem olha para a escrita com leviandade. Ela também deve ser repartida por amadores que, nos jornais ou nas televisões, escrevem ou debitam merda de graça, o que sem dúvidas dá má fama a esta vida das rotativas.

Por isso, amado leitor, se não gostas de ler merda, não vejas a assinatura da “Folha” como um ultraje nem peças a um profissional para te dar gratuitamente o que não lhe custou gratuitamente.
Muito obrigado.

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