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Leitura de casa de banho

04/10/2005

Ele há gajos que têm revistas, livros aos quadradinhos, um livro só, o que estão a ler no momento, porque só lêem aí, revistas da especialidade, seja lá ela qual for, sendo que umas, estou em crer, aceleram mais o processe do que outras mas adiante, rigorosamente nada a não ser os rótulos dos champôs e dos cremes. Até os há com porta revistas, com várias à escolha não vá a coisa ser demorada.

Eu não. À entrada da minha casa de banho só há uma coisa: as Selecções do Reader’s Digest. Mesmo à entrada de uma das minhas casas de banho há Selecções, apenas e só. Na outra não há nada, quem quiser que se lembre.

E é do melhor. O ideal, eu diria. Como só leio as piadas – quer dizer ninguém merece aqueles artigos que é só desgraças, só desgraças e depois escapamos por um fio – a coisa torna-se bem mais agradável. Já que um gajo tem de perder tempo com merdas, ao menos que perca o mínimo possível. E que aproveite o máximo que puder.

Não percebo como é que alguém me diz que não gosta de ler na casa de banho. E o que é que faz? Concentra-se no que está a fazer? Pra quê? É assim tão difícil? Pois eu acho que não. Olhe, comece a comer umas barras energéticas, carregadinhas de fibras, e vai ver como elas lhe mordem. E acho que é uma perda de tempo um gajo ficar aqueles minutos todos, às vezes acontece, ali, a olhar para o tecto.

Quando a vontade aperta e não há tempo – e eu aguento, aguento ali, que nem uma rocha, principalmente ao Sábado, a correr para ir buscar o Expresso e poder ler o Pereira Coutinho e o editorial do Saraiva, o primeiro, que cada vez está melhor, descansadinha da vida – qualquer coisinha serve. Agarro nos champôs, nos cremes, o gel de banho e até as pastas de dentes e os sabonetes marcham, lá está, em me apanhando desprevenida.

Sim, a mim também acontecem aquelas vezes em que simplesmente não dá. Todos os nossos esforços se concentram na força. Na minha casa de banho onde há Selecções, também há um espelho enorme que me permite ver-me vermelha que nem um tomate, a rezar para que aquilo acabe depressa, Credo, que sofrimento mas porque é que não como uma dúzia de laranjas e outros tantos kiwis todos os dias?

Mas felizmente na maioria dos casos a coisa é rápida e nem que sejam 30 segundos, um gajo nunca sabe, nunca, por nunca ser ir à casa de banho sem qualquer coisinha para ler.

ADENDA: via e-mail da amiga R, que acrescenta o seguinte: isto de partilhar angústias escatológicas tem tudo a ver comigo. Agora tenho outra que adoro – fazer palavras cruzadas – do melhor!

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