Meridiano 28

23/05/2018

Ontem, enquanto esperava pela apresentação, comecei a lê-lo. À introdução, se assim posso chamar. Até começar o primeiro capítulo. E, na hora, a minha reverência pela nobre arte da literatura prevaleceu e caí em mim. O Joel fez, outra vez, isso comigo: Meridiano 28

A literatura precisa de tempo.

O tempo da literatura é um tempo de silêncio, de conexão, sem perturbação, pressa, nervos, ansiedade. A literatura precisa de um tempo particular, sem hora marcada, ao som do tictac do relógio. Ou do tom estridente do temporizador, que é o alarme dos tempos modernos. A literatura exige dedicação total, disponibilidade absoluta. E o novo livro do Joel Neto merece certamente esse tempo.

O tempo para a intimidade, a profundidade.

Depois de ter assumido os meus ciúmes em relação às pessoas que já tinham o livro antes do seu lançamento, agora ando assim, assumo quase tudo o que me incomoda, mais ou menos como os malucos, e, surpreendentemente, tem resultado, farei o mais difícil, esperar. Até conseguir voltar ao tempo da literatura, da qual ando meio afastada por estar a dedicar-me a outras atividades igualmente afirmativas.

De paixão semelhante e financeiramente mais rentáveis.

Felizmente, a ansiedade acalmou entretanto, porque já o tenho nas mãos, está aqui ao meu lado, tem uma capa linda e um nome catchy.

O Joel é o meu exemplo inspirador de alguém que pode estar no sistema, fazer parte dele, ter sucesso comercial sem comprometer a literatura, deixar-se corromper pelo sistema, ou beliscar, na essência e na liberdade criativa, um milímetro. Num desapego criativo e até egóico notáveis. Sem com isso se fechar, se tornar arrogante ou pouco reconhecido. Nível de maturidade que não é para todos. Devo-lhe isso até à eternidade.

Um dia chego lá…

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