Uncategorized

"Love never fails"

09/05/2012
Relacionamo-nos com todo o tipo de pessoas, das mais diferentes cores políticas, dos mais diversos estatutos, dos mais diversos credos. Completamente opostos aos nossos. Partindo do princípio de que não somos mimados em demasia, carentes em demasia, loucos em demasia, egocêntricos em demasia, há pessoas com quem a coisa se mantém, passem-se quantos anos se passarem, troquem-se ou não e-mails, estejamos ou não próximos, física, mental, intelectualmente. É como se tempo nenhum tivesse passado. Não precisamos de concordar uns com os outros, muito menos de viver a vida uns dos outros, para que as coisas se mantenham, para que nada mude. No entanto, há outras a quem exigimos, cobramos, nos queixamos, porque elas não correspondem não à ideia que construímos delas, mas ao que esperamos delas, e de todas as outras, com quem nos relacionamos com alguma proximidade. Quanto mais próximos, quanto mais longa for a relação, mais nos sentimos no direito de o fazer. Só que é um mau exercício de um direito, o direito ao carinho, à amizade, ao respeito e ao livre arbítrio são direitos inalienáveis, intransmissíveis e intransponíveis. O carinho, a amizade, o respeito e o livre arbítrio não se cobram, não se exigem, são condição básica para qualquer relacionamento de proximidade. A questão é basicamente esta, as primeiras gostam de nós assim mesmo, como somos, as segundas estão connosco, e nós com elas, por algum outro motivo. 
A verdadeira libertação está em não cobrar, não exigir, não nos queixarmos, mas também em não nos relacionarmos com quem quer que seja que não demonstre qualquer tipo de interesse por nós, qualquer tipo de amor, de carinho, de amizade, de solidariedade. Independentemente de termos um pouquinho de cada pessoa com quem nos relacionamos dentro de nós e, e talvez por isso mesmo, de os outros serem uma extensão de nós, e nós deles, em algum aspeto da nossa psique. 
Nós vamos precisando de certos tipos de características do outro ao longo da vida, para o bem e para o mal, e elas vão mudando, mesmo, e as pessoas tornam-se no que elas aguentam tornar-se. Tudo muda quando nós mudamos, quando chegamos à conclusão que o que procurávamos no outro já existe em nós, na nossa consciência, e não apenas na nossa sombra, tornámos a nossa psique auto-suficiente em determinado quesito. O outro começa a não nos aguentar, e nós a ele, é nesse momento que percebemos que já não servimos um ao outro a não ser para nos auto-destruirmos mutuamente. É aí que escolhemos, eu escolhi construir…   

You Might Also Like

error: Content is protected !!