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Luz e sombra

18/07/2011

Todos nós, TODOS, somos feitos de pares de opostos. Submissão e poder, sensibilidade e brutalidade, simpatia e antipatia, humildade e arrogância, auto-confiança e insegurança, atividade e passividade, pudor e despudor, audácia e recuo, fraquezas e pontos fortes, superioridade e inferioridade, perversão e castidade, bondade e maldade, paciência e impaciência, coragem e falta dela, auto-suficiência e dependência, solidariedade e falta dela, generosos e egoístas, queridos e filhosdaputa, com requintes de malvadez e arroubos de bondade, animus e anima, luz e sombra. Todos temos em nós o potencial do preconceito, da xenofobia, do bem e do mal. Pense num par de opostos, ele está em si, principalmente se não achar que está, mais ainda se isso lhe causar a maior das repugnâncias. Está em si e não é pouco…

Da mesma forma que fugimos de mendigos, viciados em crack, dos betos, dos surfistas, dos emos, dos metaleiros, das pessoas que vivem da aparência, das que vivem de uma forma que choca a alma mais sensível, das freiras, dos católicos, dos muçulmanos, dos ciganos, enfim, das sombras da sociedade, cada um com as suas, também fugimos, repudiamos, atacamos, ridicularizamos, tudo e todos quantos nos ameaçam. As suas atitudes, forma de vida, suas opiniões, suas escolhas.

Da mesma forma que as sombras da sociedade estão em nós, no sentido em que não queremos assumir que aquilo, aquela situação nos pode acontecer, as pessoas das quais fugimos, repudiamos, atacamos e a quem respondemos, ou o que quer que seja nelas que nos faça reagir, repudiar, contrapor, justificar, explicar ou defender, está em nós e nós, como seres megalómanos que somos, não queremos admitir.

Essas pessoas apenas nos esfregam na tromba as nossas próprias limitações. Quanto mais as atacarmos, quanto mais fugirmos delas, quanto mais olharmos para fora e nos dedicarmos a apontar o dedo aos outros, mais essas sombras tomam conta de nós, nos limitam e nos castram. E nos fazem infelizes, muito, muito infelizes.

Food for thought: As sombras são dos poucos traços do nosso inconsciente que conseguimos identificar, se não o único, vale a pena pensar porque é que todos os blogs portugueses falam de sentimentos e de lamechice na mesma frase, no mesmo texto. Essas paneleirices do amor e tal. Porque é que a demonstração de sentimentos associada à fraqueza está, de certezinha que está, no inconsciente coletivo português.

O que não está em nós, não nos perturba. Hermann Hesse

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