Mais para Midnight in Paris do que para Cafe Society

02/11/2016

Prefiro os filmes do Woody Allen que acabam com pessoas a concretizar sonhos que as deixem felizes to the core, como Midnight in Paris. Mas Café Society era decididamente o filme que precisava de ver, no qual Woody não condena à infelicidade extrema dois amantes apenas porque escolheram a persona social e a aceitação do mundo comum para viver as suas vidas. Em vez de se decidirem pelo que acreditavam, eles em particular, contribuir para a sua felicidade, de acordo com as suas crenças, os seus valores, as suas prioridades em relação ao que faz da vida digna de ser vivida, e prazerosa. Não lhes antevemos uma vida tranquila e feliz, até porque o coletivo satisfaz até uma certa medida, depois queremos ir mais longe, mais profundamente, e o problema do social e do coletivo é precisamente a superficialidade, que não se coaduna com o vínculo, que pressupõe intimidade, que por sua vez obriga a alguma vulnerabilidade, inadmissível no coletivo. O facto de estarem ambos entre os seus, na noite de fim-de-ano, de corpo presente e com a cabeça longe, muito provavelmente naquele lugar conhecido de todos chamado: e se… leva-nos a pensar que se seguirá uma vida de frustração, amargura e culpabilizações várias, que levarão eventualmente à inevitável traição, porque te escolhi, tu não correspondes às expectativas e acima de tudo ao meu esforço nesta empreitada. Quando quem abdicou de quem e de quê fomos nós, muitas vezes em prol do que é suposto ser a vida, como se o que satisfaz um satisfizesse todos por igual, independentemente de termos todos as mesmas necessidades, satisfazemo-las é de formas diferentes, de acordo com as nossas prioridades, o que não conseguimos viver sem. O que Woody mostra em Café Society é que há sim uma satisfação na vida orientada para o social, o ego, a persona, que tem as suas compensações, que satisfaz um lado nosso e que a escolha do lado que decidimos satisfazer determina grande parte do percurso que se segue. E aos 40s logo se vê…

Cinematograficamente brilhante, como sempre, nada a apontar (exceto talvez a escolha de Kristen Stewart, juro que não entendo). Confirma-se, Woody e Burton são os únicos que ainda me arrastam para o cinema em semana de estreia.

  • Renata 05/11/2016 at 22:08

    woody: mesmo quando é ruim, é bom.
    também acho.

    • Isa 05/11/2016 at 22:10

      mesmo, há sempre qualquer coisa de incrível nos filmes e roteiros dele, mesmo que nos irrite, a gente não goste, nos chateie… :)

  • Bel 06/11/2016 at 10:29

    Vou correndo assistir!!

    • Isa 06/11/2016 at 12:38

      eu gostei :) não amei, não me entusiasmei nem me deslumbrei, mas gostei :)

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