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Medicine for the soul

07/08/2011

A Livraria Lello, no Porto, foi dos lugares mais mágicos onde já entrei. Boa profundidade, estrutura de madeira escura e livros até ao teto. Aquela escadaria ao meio, com passadeira vermelha e tudo, e livros, livros por todo o lado. Acho estranho entrar em casa de pessoas que não tenham livros na sala. Ou que tenham poucos livros em geral. Em minha casa sempre houve zilhares de livros, sempre houve falta de espaço para livros. Na casa dos outros, mais do que qualquer outra coisa, interessam-me os livros. Tenho de me segurar para não ir espreitar os livros que as pessoas têm nas prateleiras, acredito piamente que nós conhecemos as pessoas pelos livros que lhes ocupam as estantes. E pelos que não ocupam também… Os olhos fogem-me sempre para os livros atrás do entrevistado, para os livros atrás do ator em cena. Sempre. Perco-me sempre no roteiro dos filmes de cada vez que aparece uma cena numa biblioteca. Na Lello foi assim, em melhor. Era eu que estava no cenário, diante do que imaginei centenas de vezes, o sonho tornado realidade, uma salona daquelas na nossa casa, assim, sem tirar nem pôr, com livros até ao teto. Quando lá entrei, e só entrei uma vez para nunca mais me esquecer, senti-me uma criança numa loja de doces, de boca aberta, olhar pro alto, fascinada, parecia uma menina no palácio da cinderela, porque a minha ideia de palácio, de cinderela, não tem nada a ver com vestidos de roda, laços na cabeça, sapatinhos de cristal. A minha ideia de palácio é isso, uma salona cheia de livros até ao teto.

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