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Melancolia

27/05/2012
É um filme sobre as convenções sociais, Justine, a “louca” atreve-se a desafiar o poder financeiro do cunhado, as convenções sociais do casamento, o “prestigiante” trabalho como redatora de publicidade, o sobrevalorizado mundo do emprego ideial. Justine, a louca, é na verdade a única pessoa com conhecimento de causa da história. Claire, sua irmã, é a dona de casa perfeita, vive, ela o marido e o filho, numa casa que parece um castelo, com tudo o que “qualquer pessoa” poderia desejar. Organiza o casamento da irmã com a maior pompa e circunstância alguma vez vista, contra a vontade da mãe. Por esta, nem sequer haveria casamento. Claire dá broncas na irmã porque esta, no dia do seu casamento, se dá ao luxo de viver o dia que é dela da forma que entende, não cedendo às convenções. A mãe das duas, uma descrente, ante a desilusão da vida. O pai delas, ante tudo, prefere divertir-se. O marido de Claire é um cientista milionário. A ciência é a única capaz de lhe dar respostas. O poder do dinheiro é a única coisa que valoriza. Quando tudo em que quase obtusamente acredita cai por terra, descurando o seu próprio desconhecimento, menosprezando a força da natureza, é o primeiro a abandonar o navio, deixando a “frágil” Claire, o filho que o admirava mais que tudo, e a “incapaz” Justine para trás. Claire, apesar da sua aparente fragilidade, tenta desesperadamente proteger o filho, o instinto materno é superior, na falta de comprimidos… 
O filme mostra, também, isso mesmo, não conhecemos tudo, não conhecemos nada, de nada adianta pormos a nossa vida nas mãos de quem acha que tudo sabe, tudo domina, tudo conhece. Que os loucos só são loucos se medirmos as pessoas por um único padrão, o das aparências, o da exclusiva preocupação com o que o mundo vai achar de nós, com o que o mundo quer, com a ditadura do mundo, com o parco conhecimento que temos sobre tudo e sobre nós. E que o Homem, por mais avanços tecnológicos, por mais conhecimento, por mais tudo, nada pode contra a natureza. 
Entendo que seja o da Melancolia, dou de barato que seja o ritmo interno de Justine, o ritmo do não há nada a fazer, o facto da pressão do mundo externo não dever influenciar o mundo interno, mas confesso que o ritmo de Lars von Trier me dá um certo nervoso… De resto, realização brilhante, escolha de locais divina, fotografia sublime. Vale a pena ver, em fast forward…, e pensar naquilo tudo. 

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