Livre

Minimal

10/03/2016

Derivado de situações, estou numa fase de raiva, daí que faço o que toda a gente normal faz, insurjo-me. E nada melhor do que a internet para tal. Venho então insurgir-me contra o mundo em geral, as empresas em particular e a agricultura fabricada em específico. Nomeadamente porque ignoram pura e simplesmente as pessoas que vivem sozinhas, e são muitas, velhas, novas e assim assim.

Até as couves se me emboloram no frigorífico, couves essas que duram imenso tempo. E é isto com tudo, um gajo demora três dias para consumir uma cena, vai para a ir buscar quando finalmente se inspira a fazer alguma coisa com ela e depara-se com todo um manancial de vida biológica e fúngica no seu bocadinho de Antártida particular. Um gajo, porque é solteiro e tem uma vida para viver, ou por situações completamente alheias à sua vontade, não come em casa durante uma semana e as compras que fez no fim-de-semana estão todas boas para ir para o lixo. Um gajo esquece-se de deitar o lixo fora porque não sabe nem de que terra é e dá por si a ter de chamar um homem forte e espadaúdo para lhe levar o lixo lá abaixo porque não pode com ele dados os seus frágeis pulsos. Esta parte é só da minha responsabilidade, mas é para isto que se reclama, para dizer mal de tudo e de todos e não assumir responsabilidade por nada. Por isso cá estou.

Portanto, é este o meu apelo. Não é só de doses individuais de comida com cara de três quinze dias e de rancho da tropa/estabelecimento prisional de filme americano que precisamos, é de TUDO em doses individuais, batatas, cebolas, alhos, cenouras, e tal. Em tamanhos normais, couves incluídas. Não às laranjas do tamanho de melancias, aos morangos do tamanho de maçãs, aos limões do tamanho de meloas, e por aí vai. Às caixas de medicamentos com 60 comprimidos quando só precisamos de 4, às promoções que nos impingem tudo e mais alguma coisa que nunca consumimos nem fazemos tenções de consumir, ao leve 5 pague 6, e por aí fora.

Vamos dizer não ao desperdício do mundo capitalista americano em que tudo é vendido como se partilhássemos a nossa intimidade com um batalhão. Eu ainda sou do tempo em que se usava os meninos da Etiópia para me obrigarem a comer a sopa toda e detesto desperdícios, deitar dinheiro à rua, tenho melhor que fazer com ele do que desperdiçá-lo em couves que apodrecem. Vamos voltar-nos para a terra que é de todos nós, e para os produtos que dela saem, vamos parar de consumir peixe fabricado em laboratório, vamos gritar, meu povo.

Não é assim, não tem de ser assim, a cultura do estraga, deita fora e compra outro não é a minha, eu uso tudo até se desfazer, o que é uma chatice, porque, nas minhas mãos, nada se estraga, tudo se doa, por cansaço, porque ninguém aguenta vestir umas calças, um casaco, uma camisola, durante dez anos, até porque não tenho nada em excesso, por isso, uso tudo até à exaustão. Por isso doo o que já me fez feliz e poderá fazer o mesmo por outros. Até porque detesto acumular, tenho a péssima mania de me querer desfazer de tudo e mais alguma coisa. Mas deitar comida fora é como quem me mata e não estou para viver com esse peso na consciência à custa de uma cultura de consumismo que se alastra por esse mundo fora. Isso de consumir desenfreadamente e em quantidades industriais para mostrar que estamos bem na vida é uma falácia, é coisa de parolo, paremos com isto. A cultura da Europa é uma cultura de guerra, de escassez, de não desperdício. Somos europeus, dêmos o exemplo. Não é ser miserável, é só não ser parolo.

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  • wapi 10/03/2016 at 18:40

    Opáa eu senti tanto isto quando estive a morar sozinha :( Todas as semanas um deita fora, até me habituar a ter constantemente o frigorífico vazio e só comprar imediatamente antes de cozinhar. Mesmo assim, volta e meia lá sobrava e o bolor aparecia e eu achar que eu é que não sabia gerir-me.

    • Isa 10/03/2016 at 18:41

      não, não tem nada a ver com saber gerir, tem a ver com o tamanho das coisas. Tu já reparaste no tamanho de uma cena de bróculos? eu fico estúpida…

      • Diana 11/03/2016 at 16:53

        ahahahaahahah. Desculpa. Adoro que estejas preocupada com o tamanho da embalagem dos brocólis!!!!!!! :)

        • Isa 11/03/2016 at 17:13

          não estou preocupada com o tamanho deles, mas com o facto de deitar metade fora porque ficam amarelos de tão grandes que são, uso para fazer uma receita da Sofia. Quinoa salteada com legumes :p

          • Diana 11/03/2016 at 19:30

            Isso deve ser bom!!!! ??? Quero!

  • Diana 11/03/2016 at 19:31

    Só mais uma coisinha, quem é a Sofia?

    • Isa 12/03/2016 at 01:43

      glutenfree.pt, n consigo colar aqui o link da receita, mas põe quinoa na caixa de pesquisa e vais lá dar. bjo

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