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Monstros e companhia

25/06/2013
Num dos posts que traduzi um dia destes daquele tumblr de psicologia que sigo, na verdade são dois, a miúda escrevia algo como: quando passamos muito tempo com alguém, o nosso verdadeiro eu revela-se. Obviamente que não traduzi assim, ela é muito nova, estuda psicologia, mas falta-lhe maturidade para perceber que não é o nosso verdadeiro eu que se revela, que nós não somos aquilo que se revela num dia mau, em anos de convivência, num momento de nervoso, em estados alterados de consciência, tomados pela emoção do que está na sombra. 
Nós também somos aquilo, mas aquilo, seja lá o que for, está longe de representar quem somos verdadeiramente. Quem somos verdadeiramente muitos de nós nem fazemos a mínima ideia. Somos aquilo e tudo o resto. O que conhecemos e o que não conhecemos sobre nós mesmos. O que gostamos e o que não gostamos tanto assim em nós. E, principalmente, o que insistimos em ignorar sobre nós mesmos. No entanto, o que importa não é do que somos capazes de fazer, o que já fizemos, o que fizeram connosco. Muito menos a forma como os outros nos vêem, nos definem, isso às vezes é um perigo, se acreditarmos que somos mesmo só aquilo…
O que importa, mesmo, é no que escolhemos tornar-nos, com a consciência de que tudo o resto que escolhemos não fazer está escondido na nossa mente, à espera de um vacilo, para sair desgovernado e levar tudo à frente. Seja projetando-o nos outros, porque fizeram algo que queríamos fazer e não tivemos coragem, com uma amargura que deve dar até úlcera, seja num ataque histérico, de fúria, de raiva… 
O monstro que habita a nossa cabeça só toma conta do leme se o ignorarmos e insistirmos em só o ver nos outros. Se soubermos que ele existe, ele fica quietinho e sossegadinho, a comer bolachas lá no cantinho dele. 

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