Uncategorized

“Mulheres que correm com os lobos”

06/03/2014

Foi-me sugerido tinha eu uns trinta anos ou menos. No desespero, na ânsia de resolver, na vontade de me livrar de toda a tormenta que me consumia e porque confiei em quem mo recomendou, comprei-o. Lembro-me que era caro e enorme. Lembro-me de lhe ter pegado pouco depois de o ter comprado, de o achar uma chatice sem nome, era o que me faltava perder o meu tempo com histórinhas infantis, de não ter percebido nada e de o ter deixado de lado. Acho até que o doei, numa das minhas fúrias de me desfazer do que nada mais me dizia. Tinha a convicção plena de que nunca mais lhe pegaria.

Anos depois, venho encontrá-lo em São Paulo. Lembrava-me vagamente do episódio que acabo de contar e deixei por isso mesmo, ou seja, de lado. Soube que o que aconteceu comigo aconteceu com mais gente, não conseguir sequer ler mais do que duas páginas do livro.

Entretanto, estudei mitologia, Jung e arquétipos. Percebi afinal o que querem dizer as histórias infantis, o simbolismo dos personagens, dos acontecimentos, o que está por detrás de cada história, o que cada coisa, cada personagem significam. Aprendi a lê-las com outros olhos,  e percebi porque é que as crianças vêem o mesmo filme, e a mesma cena, dúzias de vezes, apreendi a importância dos arquétipos para nunca, nunca mais os desconsiderar.

Sincronicamente, não acredito em coincidências, uma amiga mandou-mo em pdf, juntamente com outros, mesmo depois de lhe ter dito que tinha tentado lê-lo e não tinha conseguido. Sabiamente, aquela sapiência que não é racional mas arquetípica, não o mandei pro lixo e mantive-o no dropbox.

No outro dia, aqui em casa, estava à minha frente, em cima de uma mesa. Peguei-lhe o mais descomprometidamente possível e logo me prendeu. Li o primeiro capítulo de enfiada e parei.

Este fim-de-semana tinha levado quatro livros físicos para ler, dois para acabar e dois para decidir por qual começava. Comecei um dos dois e pu-lo de lado, e não foi por falta de interesse. Mas apenas por querer ler sem precisar ncessariamente de sublinhar. E não me apetecia o dos contos do Maugham.

Tinha acabado de chegar a uma conclusão que verá a luz do dia numa carta para Dr. Freud, quando resolvi pegar no ipod e recomeçar a ler as “Mulheres que correm com os lobos”. Caiu que nem uma luva, tal como acontece a tudo e todos o(s) que se nos atravessa(m) no caminho, quando estamos preparados para os receber, de alma e coração. E não há mais nada que me apeteça fazer do que lê-lo. Tenho inclusive de me controlar, ou não faço outra coisa o dia inteiro.

O livro não é necessariamente para mulheres e sobre mulheres, a autora é uma psicóloga junguiana e o livro versa sobre arquétipos. Apesar de se centrar no arquétipo da mulher selvagem, que corresponde aos instintos e à intuição, características psíquicas que pertencem a todos nós, homens e mulheres. Vale a pena, cada linha, cada história, cada interpretação.

You Might Also Like

  • Elaine 06/03/2014 at 00:48

    Mais um que vai pra pilha “a ler”.

    • Isa 06/03/2014 at 00:51

      juro, é inacreditavelmente bom. Bom demais pra ser verdade. Com a enorme vantagem de que sim, é verdade.

      • Fuschia 06/03/2014 at 08:14

        Olha esse é um daqueles que procuro há meses e está esgotadíssimo em portugal e até em alfarrabistas é difícil de encontrar (quem o tem agarra-se a ele!!!). Eu tenho um que encontrei por sorte, mas gostava de o oferecer a uma amiga minha e está difícil. Tenho uma amiga que vai ao Brasil em breve e vou-lhe pedir que procure em livrarias.

        • Isa 06/03/2014 at 11:19

          ela que faça uma pesquisa antes, online, cultura, estante virtual (sebo online que reúne todos os sebos do Brasil, ou muitos deles). depois é só ir e comprar. A Cultura por exemplo está em todo o lado ;)

    error: Content is protected !!