Mundividência

13/12/2016

O mundo precisa de mundividência. De idealistas e de sonhadores, de pessimistas e de concretizadores. Da frieza da razão e do calor da emoção. O mundo precisa dos artistas e dos economistas, dos humanistas e dos ativistas. Da sabedoria dos velhos, da impetuosidade dos novos e da inocência das crianças. Da maturidade dos quarentões e da audácia dos miúdos adultos. Da originalidade dos criativos e da precaução dos cuidadores. Dos que vão para a frente de batalha e dos que asseguram os bastidores. Dos agregadores e dos pensadores, dos introvertidos e dos extrovertidos, dos individualistas e do todo. Dos ativos e dos passivos, da alegria e da tristeza, da vitalidade e do recolhimento. Da vida, da morte e do que encontramos no caminho.

Da beleza e da arte, do intelecto e da inspiração. De deus e do demónio. De gavetas fechadas à chave e de portas escancaradas. Do frio do inverno e do calor do verão. Da vida na primavera e do retorno do outono. Dos que vão e dos que ficam, dos que se demoram e dos que estão apenas de passagem.

O mundo precisa das tuas lágrimas e do teu sorriso, das tuas gargalhadas e dos teus gritos, da tua fúria e dos teus arroubos, da tua indiferença e da tua paciência, da tua compaixão e do teu medo, da tua insegurança e da tua convicção. Da tua paixão. Da tua sensação e da tua intuição, do teu pensamento e do teu sentimento, da tua leveza e da tua profundidade, da tua dúvida e da tua certeza. Da tua agressividade e da tua complacência. Do teu cérebro e do teu coração. Do que consegues e do que não és capaz. Das tuas vitórias e das tuas derrotas, dos teus pequenos atos heróicos e das tuas fraquezas. Da tua vontade de te fixares e do teu instinto nómada. Da tua presença e da tua ausência.

De inteireza e de mundividência.

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