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My life, My choices…

26/02/2011

Há aquela frase paneleira que diz quando uma borboleta bate as asas aqui, há um terramoto no Japão. As borboletas batem as asas livremente, independentemente de causarem um terramoto no Japão. Porque elas não sabem, ou não querem saber, do efeito que o seu exercício de liberdade pode provocar nos outros. E eu acho que elas fazem muito bem, em exercer o seu direito de liberdade, quero dizer. Mas connosco a coisa muda um bocadinho de figura. Eu bato as asas livremente, sou responsável pelas minhas escolhas na medida em que elas só me afetam a mim. Na medida em que o meu exercício de liberdade não causa um terramoto na vida do outro. E isto não tem nada a ver com o exercício de liberdade de cada um, nem com o tipo de dependência que criamos no outro, nem com a patologia do poder da qual o outro sofre, muito menos com a incapacidade do outro de viver a sua própria vida e de, livremente, nos deixar viver a nossa. O mundo é sistémico e isso quer dizer que uma ação nossa envolve muitas outras pessoas, que não devem sofrer o efeito provocado pela nossa irresponsabilidade. Trazendo do geral para o particular, e para o que, no último dos limites, verdadeiramente importa, o efeito borboleta [vide teoria do caos] faz sentido quando, no exercício da nossa liberdade, nós desconsideramos o amor do outro por nós. E estamos aqui a falar de Amor, mesmo, Amor, que implica o livre arbítrio de cada um mas em que, independentemente do respeito pela escolha do outro, há preocupação, há carinho, há Amor. Maior do que o orgulho, do que a megalomania, do que tudo, verdadeiro, portanto. E sem botão liga/desliga. E é aqui que o nosso exercício de liberdade tem de ser pesado. Quando ele implica desconsideração total por nós e, consequentemente, pelos que nos amam e se preocupam connosco. Se a nossa falta de amor próprio é maior do que nós, e não o fizermos por nós, então façamo-lo pelo outro, por dever de gratidão, por reconhecimento, por respeito, por consideração.

Um dia perceberemos que o fizemos por nós.

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