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Na próxima encarnação quero ser cão

15/04/2005

Bem-nascido e bem criado. Cão de montanha, grande e de pelo comprido. E viver numa casa de madeira, com jardim. Não me preocupar com nada. Ter comida no prato e cama para dormir.

Os portões estariam sempre abertos para poder dar as minhas passeatas. Explorar as redondezas, travar conhecimentos. Ir cada vez mais longe, por caminhos diferentes. Ser independente durante o dia e ter para onde voltar ao pôr-do-sol.

Os meus dias são longos. Corro o dia inteiro e descubro coisas novas a toda a hora. Uma canseira. Quero poder chegar a casa e ficar deitado no tapete da sala, ao pé da lareira, durante o tempo que me apetecer. Quero poder dormitar com o focinho entre as patas sem que ninguém me chateie. Quero poder fazer humpf, quando alguém me despertar do meu sono reparador, olhar para o lado e voltar a dormitar.

Acordo sem despertador, bastam-me os sentidos. Está na hora. Vou lá para fora porque quero estar no jardim para poder correr para os braços dos meus donos mais novos quando chegarem da escola. Quero que se manifestem quando me virem. Que me façam festas, que brinquem comigo. Que me tratem com carinho.

Prometo que os defenderei com a própria vida. Prometo-lhes fidelidade até ao fim dos meus dias, é isso que se quer de um cão. E eu serei um cão como deve ser.

Quero morrer nos braços dos meus donos. Sem sofrimento. De velhice moderada, com dignidade.

Não quero que chorem quando fechar os olhos para sempre. Tivemos uma vida feliz juntos. Há que recordá-la de leve sorriso nos lábios e alguma nostalgia no olhar.

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