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Não ao desperdício

04/12/2012
Acho um absurdo que se deite comida fora, que se definam regras idiotas e estúpidas sobre condições de lares para velhinhos, onde obviamente não se incluem higiene e condições de acessibilidade. Não preciso que nenhum burocrata rico de Bruxelas me diga que uma casa que alberga velhinhos precisa de enfermeiras, condições de acesso a cadeiras de rodas, higiene, janelas nos quartos e limpeza diária de casas de banho e afins, e de gente que tenha paciência e se dedique à causa, porque lhe está na consciência ou na forma de ser. 
Se há instituição que não serve para nada é a ASAE e similares, que dizem que não se pode dar comida que sobra em restaurantes, não dos pratos das pessoas, porra, comida que foi feita a mais… e que não se pode guardar para o dia seguinte, a quem passa na rua e quer comer, a instituições que cuidam de crianças ou encarregues de ajudar outros com necessidades vitais, nomeadamente fome e vestuário. 
Se tivesse um restaurante e fosse obrigada a livrar-me de comida sob pena de me fecharem o tasco, podem ter a certezinha absoluta que nem um grão de arroz ia pro lixo. A mim ninguém me diz com que valores e por que regras me movo. 
O problema de muita gente é o orgulho. A questão do vídeo que diz que não nos podemos dar ao luxo de desperdiçar só é uma questão para quem não tem fome. Porque quem tem fome está-se, ou deveria ter aprendido a estar-se, bem borrifando pra orgulhos idiotas, só quer é comer. Matar o bicho da fome, para depois poder decidir o que fazer com a sua vida. 
Independentemente dos músicos se sentirem bem ao fazê-lo e de terem, provavelmente, descontos no irs com a iniciativa, é por isso que se usam músicos e não anónimos, porque eles chegam a mais gente, têm mais visibilidade. 
O Giane, na última festa de anivesário, disse simplesmente: não quero presentes, o dinheiro que iriam gastar num presente pra mim doem à instituição tal, de crianças com câncro, porque ele passou por isso e felizmente pôde bancar os tratamentos, há quem não possa e a causa é também a causa dele. Foi o que toda a gente fez. Se é preciso chamar a atenção para o tema, que se chame. Porque as crianças não têm culpa que as verbas dos impostos de todos os brasileiros não sejam investidas em mais saúde. E quem pode, dá. É simples assim.

E quem continua a insistir na caridadezinha, agora virou moda…, como se ajudar como se pode fosse pecado e crime, é gente que precisa urgentemente de rever valores, de sair do seu mundinho e pôr-se no lugar dos outros. Aprender a lidar com os nossos medos nunca fez mal a ninguém.
Apesar de não saber o que é passar fome, já a senti, como toda a gente, e não vejo problema nenhum em pedir para embrulhar os restos de comida que ficaram na travessa e levá-los pra casa, ou dá-los ao primeiro mendigo que cruzar o meu caminho, porque me faz impressão desperdiçar comida, simples assim. A arrogância e o desperdício, esses sim, são um problema, principalmente quando pretendem dizer aos outros o que é melhor pra eles, sem nem sequer terem passado pela situação, sem nem sequer fazerem a mínima ideia do que estão a falar, a não ser pelo que leram nos livros e em nome de ideologias e ideiais de merda, que não servem pra nada quando a questão é desperdício de um bem essencial chamado comida e FOME. 

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  • Pedro 04/12/2012 at 16:47

    Ainda há quem ache que restos não são uma boa alimentação… Cá em casa nunca deitei comida fora (a menos que se tenha estragado, por não dar conta, o que, infelizmente, já aconteceu). Se não dá para requentar, inventam-se novos pratos, um recheio para uma quiche ou bola. O que me faz gozar um bocado com aqueles blogs que surgiram nos últimos tempos, de como economizar para fazer face à crise –

    • Isa 04/12/2012 at 18:20

      sim, esse povo fino que não come restos tb me faz confusão. e tivemos o mesmo exemplo familiar :)

      pode ser, sim, mas o que me parece que está por detrás disso, para além de ideologias de merda que só servem a quem tem comida na mesa todos os dias, é a dificuldade que temos de não encarar a nossa condição, seja ela qual for, mas principalmente a de que somos falíveis e a de estarmos

  • S* 04/12/2012 at 18:25

    Nunca sofri de falta de comida, graças a deus, mas na minha casa nunca nada se deita fora. Fazem-se omeletes de restos, empadões de restos, arroz com salsichas… nada se deita fora. Deitar fora comida até é pecado.

  • apocalyptca 04/12/2012 at 20:12

    falou e disse!!!

  • Jorge Ventura 05/12/2012 at 09:55

    Quando a ASAE apareceu farte-me de a defender , aplaudia o controlo de uma certa javardice de tasca e aldrabice de processos em muitos estabelecimentos. Hoje em dia tenho um ódio de morte à ASAE e faço tudo o que possa , admitidamente pouco , para os contrariar , fintar e "combater". Já passaram há muito a fase da utilidade e são são só um estorvo caro e estúpido , como de resto prova

    • Isa 05/12/2012 at 12:47

      Sim, enquanto os gajos iam às arcas congeladoras ver se havia carne estragada era serviço público. quando começaram com paneleirices de pao embalado e azeite em garrafas pequenas e proibir as pessoas que cozinhavam de se fazerem à vida começou a ser demais.
      podes crer, excesso de paranóia, de estupidez, de vigilância, de tudo. e pouco discernimento. uma corja :D

  • Lena 05/12/2012 at 17:44

    É curioso que cá (Portugal) se vais a um restaurante e sobra comida muito pouca gente pede para colocar numa caixa para levar pra casa. E quem o faz tenta passar despercebido porque é uma vergonha… Na Austrália é impensável não o fazer! E lá o nível de vida é superior! Quem vai ao restaurante e n come tudo o que pediu, é quase garantido que pede um "doggy bag"

    • Isa 06/12/2012 at 02:45

      Sim, nao temos onde cair mortos, mas mantemos o orgulho, um orgulho bem besta…

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