Livre

Não te esqueças de olhar para o lado esquerdo

05/05/2015

Entra com uma intenção clara, que pergunta queres ver respondida?

Caminha a passos firmes, decididos, sem medo. Olha em frente, cabeça levantada, sempre. Só assim podes aperceber-te do que se passa à tua volta. Segue o trilho pré-estabelecido se te deixa mais confortável. Um dia, atreve-te a escolher o caminho que mais te atrair, não tens como te perder, estás contigo, sempre. Nunca te abandones, não te esqueças disso.

Quando caminhares pelo bosque, não te assustes se ouvires algo rasteiro a passear sobre as folhas, é um passarinho à procura de alguma coisa. E ignora o lado direito, sempre. É o da estrada, não tem graça nenhuma. Mesmo que não ouças os carros, as árvores são todas verdes, todas iguais, só as folhas as distinguem umas das outras. Umas mais escuras, outras mais claras, umas mais longitudinais, outras mais arredondadas, não passa daí.

Não te distraias da tua intenção, a de te embrenhares no bosque, ainda que do lado direito só haja árvores e do lado esquerdo apenas margaridinhas brancas, milhares delas. Repara como contrastam com o verde da relva? Fixa-te nelas, no que tem mais vida, é mais alegre e por isso se destaca no meio do que é banal, sempre igual. Não percas a capacidade de te encantar, nunca.11119086_1610646569180721_2056741481_n

Mantém o olhar no lado esquerdo, o caminho é mais fechado, as margaridinhas desapareceram e agora há árvores dos dois lados, vê como vão mudando, parecem arbustos floridos, os mais bonitos de todos. À medida que vais caminhando, olha como as flores se substituem umas às outras, pequenas e maiorzinhas, com cores sempre diferentes. Mais isoladas, como que pequenos pontos que aparecem no meio do verde, vermelhos, amarelos, brancos, que te obrigam a olhá-las com mais atenção, repara como têm formas tão diferentes umas das outras, ou mais concentradas, parecem tufos, lindas.

Cumprimenta os velhinhos, ignora o que está aos gritos, a praguejar sabe deus com quem, segue em frente, embrenha-te no bosque, ouve o silêncio, as folhas a quebrarem debaixo dos teus pés, as vozes dos adolescentes, o canto dos pássaros, o vazio de gente à medida que sais do trilho e te aproximas do coração do bosque. Fica o tempo que quiseres, para se te apetecer, chega perto do que te atrai, deixa para lá o que não te diz nada, não avances se te assusta demais, volta ao trilho estabelecido, observa as pessoas, congratula-te que sejam poucas, não te fixes nas conversas que alimentem o teu predador, não te levam a lado nenhum, estás cansada de saber.

Percorre trilhos diferentes a cada vez, vai mais longe todos os dias, podes caminhar com firmeza, usando os músculos que queres fortalecer, mas devagar, não precisas de correr, ninguém te persegue e o objetivo é entrares em contacto contigo. Prolonga a caminhada e vem-te embora quando a natureza te responder à pergunta que fizeste, consciente ou inconscientemente. E não te esqueças de voltar no dia seguinte, e no outro, e no outro. Descobre coisas novas todos os dias, não deixes que o contacto com a natureza seja um remédio, faz dele uma prática diária, escolhe-te a ti, sempre.

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