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Não uso a via pública para me aliviar

18/07/2005

Long, long time ago, o meu irmão chega um dia a casa e pergunta-me com um ar ameaçador: olha lá, tu mijas na rua? É que no outro dia estava num parque de estacionamento, dentro do carro com um amigo meu e de repente vimos umas gajas, com um ar meio estranho, assim a olhar para todo o lado e não é que uma se baixa, a ela e às calças, e desata a mijar, ali, à nossa frente? Ca nojo pá, tu não me digas que fazes essa merda???

Não, meu caro, não faço da rua um urinol público. Conheço quem o faça e com um desembaraço que nem imaginas. Ali, sem salpicar nadinha nem sequer molhar os pés… Não critico, tenho é inveja, porque isto de os gajos se porem a criticar só porque têm um pirilau que é só sacar e já está é muito fácil. E poderem fazer concursos e mais não sei quê. Acho cá uma graça… Afinal, somos feitos da mesma massa e não sei porque é que passa pela cabeça de alguém que as mulheres se controlam mais. Não controlam e aliviam-se onde podem. Para os gajos qualquer parede, moita, roda de carro, enfim, serve. Para nós não. É sempre um filme.

Para mim é o filme de nem sequer falar, para não provocar a bexiga atulhadinha até onde pode e mais um bocadinho. Às vezes contorço-me toda mas prefiro sempre esperar. Estou cá desconfiada que se chegar a velha vou ser incontinente mas prefiro aguentar-me, por exemplo, até chegar aos Bastidores, onde me posso sentar, e olha que às vezes é um milagre como depois de tanta buja uma pessoa se aguenta sem se sentar…, onde há papel – os lenços de papel nem sempre estão dentro da mala atafulhada de merdas que não servem para nada a não ser para apanhar uma escoliose, quiçá uma espondilose, que mulher que se preze anda com a casa atrás, dentro da mala, tantas vezes a parecer-se com a do Sport Billy – e um cartaz na porta que diz: “Levanta a cabeça, uma flor nunca murcha. [Sente o poder do chá verde.]” O poder do chá verde sinto-o muitas vezes, quando tenho de ir a correr a uma casa de banho de um café qualquer, que a mim nunca me negaram uma entrada seja onde for apenas para ir à casa de banho, já que não temos pirilau, ao menos que nos sirva de alguma coisa sermos mulheres.

Quantas vezes, quantas… vou aos saltos dentro do elevador, às tantas da manhã, já com as calças desapertadas e entro em casa a correr, directa para a casa de banho… Mas nunca na via pública. Para já mete-me um bocado nojo. Sim, sim, quem o faz é porque já está a rebentar mas eu com a minha dislexia de movimentos com certeza acabaria por me sentir ainda pior e nem sequer quero imaginar como sairia depois de uma tentativa, porque quando se começa, não se pára mais. Sabes, nós não conseguimos fazer pontaria, é uma chatice… E além disso não sou de me expor. E muito menos de expor o bundão.

Eu sou mais eu e olha que às vezes passo por cada uma que nem te digo, no Majhong, por exemplo, o melhor é arranjar umas galochas, ou umas sandálias de dois andares, e arregaçar as calças até aos joelhos, entrar de olhos e nariz tapados, fazer o que tiver a fazer e pôr-me a andar dali para fora antes de desmaiar. E digo-te mais, nem sequer o faço em sítios onde não haja trincos nas portas a não ser que vá com uma amiga que me faça o favor de me segurar na porta. [É so por isto que vamos aos pares prá casa-de-banho!!!]

Sou solidária com as minhas amigas que o fazem, cubro-as, impeço mirones, mantenho-me atenta aos faróis dos carros, insulto se tiver de insultar mas não, não uso a via pública para me aliviar.

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