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Narrar como se fosse outra pessoa/coisa*

20/08/2010

Vou aos correios com a minha mãe porque diz que há lá uma carta pra mim.

Nos correios a agitação é muita. O envelope , que é como se chama a coisa onde vem a carta para mim, tem bonecos e está escrito às cores. Tem o meu nome e a minha morada e, apesar de estar ali com ela, a minha mãe teve de levar a minha cédula para provar que eu existo mesmo.

A mãe diz-me para abrirmos a carta em casa. Mas deixou-me vir agarrado ao envelope, afinal, a carta é pra mim.

Quando chegámos a casa a minha mãe achou melhor o meu pai ajudar-me com a carta, já que ainda não tenho dois anos e por isso não sei ler.

A carta é da minha tia. Não me lembro bem dela, ela foi-se embora para longe e nunca mais me veio ver. A minha mãe mostra-me fotos dela, aponta e diz: Isabel, para eu repetir e a reconhecer da próxima vez que a vir.

A minha mãe ficou na cozinha e o meu pai ajudou-me a ler a carta. É uma carta com palavras às cores e muitos desenhos. O meu pai ajuda-me a perceber que as palavras formam frases, para que nós possamos falar uns com os outros. Entretanto, a minha mãe junta-se a nós. Vi tudo com muita atenção, mesmo as tais das palavras que não entendia muito bem. Ainda não conheci as letras, com as quais formarei palavras. Gosto mais dos desenhos, dos bonecos. São coloridos e giros. E representam coisas, tal como as palavras, mas como são bonecos eu entendo melhor.

*Exercícios do módulo: Fundamentos Narrativos I

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