Not killing ourselves for recognition

04/02/2014

Nas acusações feitas recentemente a Woody Allen – acusações essas que não são novidade, apenas uma repetição do que já se tinha feito há uns anos, acusações que nem chegaram a ver a luz do dia num tribunal, dado que sequer houve processo – muitas pessoas se perguntam o que teria Dylan a ganhar com tamanha exposição (“por isso, deve ser verdade”).

A resposta é simples: atenção. A dele, inclusive, coisa que Mia Farrow também conseguiria. Mia Farrow que nunca engoliu a história de ser trocada por uma mulher mais nova (sim, a japa era uma mulher, com plena posse das suas faculdades mentais, quando Woody Allen assumiu um relacionamento com ela), como nunca deve ter engolido o facto de ela e Woody nunca terem sequer morado juntos.

E sim, nós somos como os cães e as crianças, quanto mais atenção queremos, mais asneiras fazemos, mais nos expomos, mais nos prejudicamos. E a forma como aprendemos a chamar a atenção vem da audiência que nos dão. Há quem tenha percebido que conseguia a atenção dos pais berrando, se vitimizando, ficando doente, se lamentando, e por aí vai. E é essa forma que irá persistir pelo resto da vida, se acaso não fizermos qualquer coisinha por nós, nomeadamente: resolvermo-nos. É pernicioso, ao mesmo tempo que temos a atenção, limitamos a nossa vida a isso, procurando inconscientemente situações e circunstâncias que nos façam cair nessa falácia. Temos atenção, mas não saímos do buraco, porque quem atraímos com esse tipo de atitude não nos quer ajudar, apenas quer viver dessa desgraça, alimentando a sua própria necessidade de desgraça.

Com acusações gravíssimas destas, Mia também consegue manchar a reputação de Woody Allen para sempre, mesmo que, mais uma vez, o caso não veja a luz do dia num tribunal, a dúvida persistirá sempre.

O que Mia Farrow não percebe, nem Dylan, é que, aconteça o que acontecer a Woody Allen, isso não lhes vai mudar ou resolver a vida, sequer trazê-lo de volta. Aconteça o que acontecer a Allen, Mia Farrow jamais será feliz, porque não é a tentar destruir a vida dos outros que atingimos a felicidade e a paz de espírito, mas a cuidar da nossa, a resolver a nossa.

  • S* 04/02/2014 at 21:34

    Partes do princípio de que é tudo mentira… não sabemos se é verdade, mas também não sabemos que é mentira. Honestamente, custa-me a crer que Mia, filha e filho (pelos vistos o irmão da tal Dylan confirmou) resolvessem atacar o pobre cineasta só porque sim. Quando ao facto da “japa” já ser uma mulher com plenas faculdades mentais… são opiniões. Era a filha adoptiva da mulher com quem ele estava. Isso, só de si, já é doentio.

    • Isa 04/02/2014 at 22:13

      eu não parti de princípio absolutamente nenhum. nem em momento algum disse que Dylan mentiu. nem tem nada de “só porque sim” no meu texto. Eles, Allen e a japa, estão casados até hoje, se há “doença”, é de ambos… Mas não me parece. São casados desde 1997. Doença prolongada, de ambos, é isso? o que me faz confusão é um mundo com a experiência histórica da idade média não ter aprendido porra nenhuma 600 anos depois e insistir em linchamentos públicos, só porque sim.

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