WIP

Null and Void

01/04/2015

Sabes esse vazio? Esse aí, que costumas preencher de forma autodestrutiva, enchendo-te do que não te faz falta, não te preenche, apenas mascara uma carência maior, uma falta mais profunda, uma dor enorme, enorme e antiga, antiga. Esse aí. Esse vazio interno, que preenchias com algo ou alguém que descobriste, a tempo, vais sempre a tempo, que não te preenchia tanto assim, que acabou por te ser mais pernicioso do que prazeroso, que te vinha de uma necessidade do ego, talvez do coletivo, do que te dizem que é suposto e que te deixava mais vazio ainda. Sabes esse vazio, que parece que é novo mas é o mesmo, que te parece maior, mas é porque nunca antes tinhas olhado para ele? O vazio característico do fim das coisas, das pessoas, dos comportamentos, das atitudes. O vazio do fim da neurose, ou pelo menos da tentativa de a controlares, para que não te controle, não seja mais forte do que tu. O vazio que te lembra que não queres mais, que as panaceias já não dão conta, que os placebos afinal não são placebos, apenas te fazem ficar no mesmo lugar de sempre, atrevo-me a dizer. O vazio que insiste em dizer-te para usares os mesmos remédios, teres os mesmos comportamentos, voltares a relacionar-te de forma tóxica, que te vai mandar para o lugar de onde quiseste sair de livre e espontânea vontade, porque já não te servia mais, pelo contrário, atrapalhava-te a vida, cortava-te as asas, prendia-te os pés ao chão. Um vazio que preencheste com matéria, quando o que estava vazio era a tua alma, não o teu bolso, o teu estômago, o teu ego, o teu ventre, o que te dá um falso poder, o que é externo a ti, te faz ser aceite, mais um entre milhões, deus te livre…

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