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O cinema escandinavo não é só o Bergman

28/01/2012
Estou a desenvolver uma paixão assolapada pelo cinema nórdico. Apesar de ser cinema clássico – e por isso implicar um herói que tem de mudar, antagonistas, pontos de virada, dois, e tal – nós nunca sabemos o que vai acontecer depois, como vai acabar. Os pontos de viragem surpreendem sempre, nunca é o que achamos que vai ser. O que tenho visto de cinema escandinavo e, claro, não é quase nada, meia dúzia, apenas, infelizmente não chega nem à Europa do Sul, quanto mais aqui, traz ao mundo o melhor do cinema. Não deixando de ser ficção, é quase jornalismo literário, no sentido em que mostra que nós não temos só um lado socialmente mau nem só um lado socialmente bom, que as aparências enganam e que temos de nos permitir agarrar as oportunidades, temos de deixar que o outro insista, temos de acreditar. Mantendo-nos fieis a nós mesmos, por sabermos que não mudamos, apenas podemos despertar lados nossos adormecidos, que surpreendem quer pela positiva quer pela negativa, partindo do princípio errado de que o negativo é apenas negativo e o positivo é apenas positivo…
O cinema nórdico contribui para que nos aceitemos uns aos outros. Não porque trocamos defeitos, eu aceito o teu e tu o meu, mas porque nem sequer os apresenta como defeitos, apresenta-os como características, como coisinhas do ser humano, que é humano por isso mesmo, porque tem ataques, inseguranças, raivas, ódios e coisinhas, muitas coisinhas… E talvez seja por isso que não é divulgado. Porque o mundo insiste nessa estupidez da perfeição, nesse delírio mental, porque inatingível, porque simplesmente não existe, não é possível nem sequer desejável.  
Há sempre uma violência implícita, principalmente nas crianças, bem explícita em alguns casos, que dá dó porque parecem sempre uns anjinhos, com os seus cabelos loiros e as suas peles branquinhas. Ou a personificação dos anjos que estamos habituados a ver. Ainda falam do Hitler, a personificação de anjos loiros de olhos azuis e pele branquinha é-nos imposta em todo o lado, até hoje. Jerusalém devia ter muita gente loira, devia… Se a internet serve para alguma coisa é pra isto. Compartilhemos, sim, ainda que a preços irrisórios. Adiante… 
No cinema nórdico que tenho visto a coisa nunca é exatamente como achamos que será. E isso é bom. O cinema escandinavo ajuda a trocar a lente e o amor vence sempre. Não o amor nhónhónhó, o amor peguento, o amor apregoado, o amor das flores e dos chocolates, da casinha com cerca branca e dos cães. O amor dos gestos, dos gestos…

Sempre tive uma paixão inexplicável pela Escandinávia, agora percebo porquê… Aqui ficam alguns títulos:

Adams Aebler (Dinamarca)
Baeken (Dinamarca)
Havaii (Noruega)
Let the right one in (Suécia)
Brothers (idem)
Open hearts (idem)
In a better world (idem)
Depois do casameno (idem)

*Imagem: Aí, um momento d’oiro como deve ser.

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  • Fernando Nazareth 28/01/2012 at 16:34

    Concordo com tudo. É muito mais fácil conviver com ídolos e super heróis prontos e acabados do que com essa gente que muda sempre, como o vizinho do outro lado do muro ou (horror dos horrores!) nós mesmos.

  • Isa 28/01/2012 at 17:23

    :) é isso! ou com a fantasia de nós mesmos…

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