Selfish Love

O corpo é que paga*

01/02/2015

Do alto do nosso ego, achamos que temos verdadeiro poder sobre o outro. Acreditamos quee954cf5aa4fa0ac9b7c3a8c7cbf128c8 temos o poder de influenciá-lo, de fazê-lo mudar de ideias, de convencê-lo do que quer que seja. Achamos. E ficamos contentes quando isso acontece, iludindo-nos em relação à nossa importância na vida do outro, quando nos convencemos de que o outro mudou, de opinião, de roupa, de atitude, por nós. Porque gosta de nós e nos respeita, pela nossa magnífica e incontornável influência, capacidade de argumentação, inteligência ou habilidade. Ou pela nossa capacidade de manipular a nosso bel prazer. E há os que, batendo no peito, explodindo de orgulho e o ego feito num balão, com um problema enorme de auto-aceitação para resolver, avisam, para quem quiser ouvir: eu sou o máximo e consigo tudo o que eu quero.

Mas é falso, mentira, uma ilusão. O outro não se deixou convencer por nós, o outro simplesmente já estava mais do que convencido. O outro só muda depois de nos ouvir, depois de ele mesmo já ter decidido isso. Lá na cabecinha dele, no coraçãozinho dele. Quando nos procura, a nós, em particular, sabe perfeitamente o que quer ouvir. E é isso que vai ouvir, exactamente isso.

Quando o outro não quer, não o procura, não pergunta, fica quieto. Quando o outro não quer, não há raio nenhum que o convença.
*António Variações
@Set. 13

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