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O inferno é o limite

28/03/2013

Há o que aguentamos e não aguentamos. E aí o inferno é o limite, não há certos nem errados, legal nem ilegal, bom nem mau, há apenas conforto e desconforto. Coisas nas quais não nos metemos por constituírem um risco muito sério para a nossa saúde mental e física. Tipo cheirar cocaína, não me atrevo, desconfio que era capaz de gostar muito, fora que tenho tendência para alguma compulsão… Lidar com gente violenta é coisa que não aguento, a violência física deixa-me num estado de nervos tal que quase surto, mesmo que não conheça nenhum dos envolvidos, enquanto que para outros pode ser um turn on incrível. A possibilidade de apanhar de um gajo cega-me de tal forma que era capaz de o matar, de lhe dar com qualquer coisa na cabeça que o deixasse estendido no chão para sempre. Como não tenho estrutura para encarar isso, para viver com isso pro resto da vida, simplesmente não me relaciono com gente violenta, não dou uma chance sequer, uma, deus me defenda e me proteja. Ataques verbais constantes, que podem vir, e vêm quase sempre, das pessoas mais próximas, gente tóxica, mesmo que sejam os nossos melhores amigos, o nosso pai, a nossa mãe, o nosso irmão… Gente que constantemente te põe pra baixo, que nunca, nunca na vida tem uma palavra simpática, um gesto de carinho, uma atitude de amor. Gente que te suga todos os recursos e não te dá nada em troca, nada de verdadeiro, de genuíno, nada… Gente que está sempre na mesma, ou deprimida, ou estupidamente feliz, ou crítica, ou queixosa, paranóica… decida você… que não faz rigorosamente nada para mudar, para se sentir melhor. Gente cuja vida virou uma linha reta… 

Casos em que não há discussão, não há tentar o resto da vida, casos em que é providencial um afastamento, é providencial insistir em permanecer afastado, lidaremos com a possibilidade de isso estar em nós sozinhos. Voltaremos se nos aprouver, se nos apetecer, se fizer sentido, se conseguirmos, se continuarmos a gostar, se valer a pena…

E a loucura, nas suas mais variadas formas, a sociopatia e a psicopatia são apenas alguns exemplos, mas há muitos outros. A loucura, a coisa que temo mais nesta vida, tenho verdadeiro pavor, por ser contagiosa, por ser facílimo perdermos o norte e nos deixarmos arrastar para a loucura alheia, correndo o seríssimo risco de a acharmos normal, aceitável, tolerável… É disso que fujo como o diabo da cruz, sem olhar para trás. Nesse caso, ser racional e cortar radicalmente o contacto, para sempre, é o mais acertado a fazer. E é um direito inalienável.

Não se trata de egoísmo, de ser mau, de ser insensível aos problemas dos outros, trata-se de garantir a nossa sanidade mental e deixar para quem consiga lidar com isso, para quem tenha estrutura para encarar, para quem ame sem limites… 

Além disso, temos as nossas próprias neuroses pra resolver… Respeitar o nosso momento. Há dias em que aguentamos o amigo javardo, a amiga histérica, o amigo tarado, a amiga fútil… outros não. Não é pecado não ir, não é pecado dizer não…

Definir o que somos e não somos capazes de aguentar, o que queremos para a nossa vida, é um excelente primeiro passo…

Há gente pra tudo nesta vida, há momentos para tudo nesta vida, e encontrar a nossa turma, que, desejavelmente muda com a idade, é um dever nosso…

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